A entrevista...

17/02/2021 15:31

        Antigamente, quando se desejava escrever uma crônica, saía-se pelas ruas observando os acontecimentos ou lendo-se algo em algum periódico, como o faziam, no século XIX, José de Alencar e Machado de Assis, dois de seus melhores articulistas. Exemplo disso é a crônica que Machado escreveu, com base em notícia lida sobre uma jovem, se não me engano baiana, que, com uma faca na mão, ao ser assediada por um rapaz, preveniu-o, em português pronunciado incorretamente: "Não se aproxime, que eu lhe furo! (O punhal de Martinha, 5 ago. 1894).

        O jovem não acreditou no aviso, tentou beijá-la a força, e foi morto com um furo de "peixeira", no ventre, pela baiana. "Peixeira" é o nome que se dá, no Nordeste, a facão curto e muito afiado, usado para o corte de peixes. Atualmente, as notícias são transmitidas pelo rádio e TV, lidas nos endereços eletrônicos e até... nos jornais.

        Hoje falarei ao amigo leitor sobre entrevista assistida por mim, em vídeo, de Geraldo Campetti Sobrinho a Bruno Tavares. Bela, respeitosa, evangelizada e erudita entrevista.

        De início, Bruno diz-lhe que é fã do vídeo intitulado Livros que iluminam, postado periodicamente, na internet, cuja direção é do Geraldo. Em seguida, o entrevistador questiona a profusão de obras ditas espíritas, com conteúdo duvidoso, e pergunta ao entrevistado o que este pensa do assunto, haja vista considerar o livro espírita o "carro-chefe" da divulgação do Espiritismo.

        Geraldo confirma a condição de "carro-chefe" do livro-espírita, e diz-lhe que, atualmente, há grande número de obras não confiáveis, no mercado editorial, intitulando-se espíritas. Explica, ainda, que há obras falsamente atribuídas aos Espíritos Emmanuel e André Luiz que contrariam o estilo do médium Chico Xavier e dessas entidades. Por fim, lembra a responsabilidade com que a Editora FEB trata suas obras, corrigindo todos os equívocos comprovadamente presentes em suas edições. Lembra, portanto, que é dever dos seus revisores, pessoas competentes e honestas, corrigirem erros gramaticais e realizarem atualizações ortográficas nas obras editadas ou reeditadas.

        Finalmente, Bruno diz ter lido seiscentos artigos de Bezerra de Menezes, um dos primeiros presidentes da FEB, e não viu neles qualquer menção a Roustaing, e, sim, a Allan Kardec. Em nossa ótica, de colaborador da FEB há mais de quarenta anos, não procede a tese de roustainguismo atribuída à instituição. Bruno pergunta, também, como o entrevistado responde às acusações de "adulteração" de obras de Kardec.

        Após esclarecer que não existe kardecismo ou roustainguismo e, sim, Espiritismo, Geraldo informa que todas as alterações (e não adulterações) existentes nas obras do Codificador da Doutrina Espírita foram feitas por este mesmo, como já foi comprovado por pesquisadores responsáveis. Como exemplo, cita as pesquisas feitas pelo doutor em Filosofia da Ciência e Lógica, Cosme Massi, além de outras pesquisas recentes. Informa ainda que quase tudo em A Gênese foi escrito pelo próprio Kardec, ao contrário dos outros quatro livros da codificação espírita, em que a participação dos Espíritos é maior...

        Enfim, ficamos plenamente cientes de que toda a obra espírita de Allan Kardec foi publicada e atualizada com base nas alterações dele mesmo. Além disso, Geraldo deixa claro que o Espiritismo sem Jesus não é Espiritismo, pois é o Cristo que o anuncia em João, capítulo 14, versículos 15 a 17. Ser espírita é, pois, ser cristão. Graças a Deus!

        Assista à entrevista no blog do Bruno Tavares. Vale a pena.

 

 

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