A evolução pede passagem...

03/03/2021 15:35

Mens agitat molem (A mente move a matéria) – Virgílio, Eneida, VI, 727. Apud ANDRADE, Hernani Guimarães. A mente move a matéria. São Paulo: FE Ed. Jornalística Ltda, 2005.

      

            Estive refletindo sobre a época atual. Muitas pessoas negam que o mundo evoluiu, moralmente, nos últimos milênios. Isso não é novidade, pois já há quem não creia que o Cristo tenha encarnado na Terra. Negam a história de milhares de cristãos, cruelmente assassinados, mas criticam os absurdos cometidos pela Igreja, quando esta passou a fazer parte do Estado e, consequentemente, da política. No entanto, a Igreja foi criada pelos que sucederam aos mártires cristãos. Outras pessoas pregam a anarquia dos sentidos, pois, segundo seu juízo, ninguém sairá vivo do mundo. Confundem o cérebro, órgão de manifestação do pensamento, com a mente, faculdade da alma que comanda esse órgão.

            Tanto umas quanto outras afirmam que todas as filosofias antigas e modernas nada mais são que manifestações de ideias de alguns seres humanos criativos, que desejam manter-se no controle da situação e submeter os fracos às suas elucubrações mentais. Os objetivos são o poder e a riqueza.

            Hoje, porém, a consciência humanitária atingiu estágio jamais alcançado. Como exemplo, temos o avanço extraordinário dos meios de comunicação, que nos permitem ver e falar, instantaneamente, com alguém que esteja no outro lado da Terra. A liberdade de manifestação do pensamento e o respeito às diferenças são muito maiores do que em priscas eras, em especial nos países democratas. Mulheres têm seus direitos e dignidade mais respeitados, preconceitos são combatidos, e animais têm seus defensores.

            Atualmente, famílias de classe média vivem mais confortavelmente que monarcas de dois séculos atrás. A educação tem alcançado um número de pessoas nunca antes atingido, e a medicina oferece especializações médicas para a terapia de cada órgão corporal. Tratamentos com choque elétrico a doentes mentais foram substituídos por remédios potentes; implantes dentários substituem dentaduras postiças; cirurgias oculares corrigem deficiências visuais; vacinas antiviróticas obtêm resultados altamente eficazes; próteses mecânicas permitem que portadores de necessidades especiais levem vidas normais; serviços públicos e privados contratam essas pessoas etc. etc.

            O que falta aos que negam a evolução humana é o estudo e a fé nas três revelações divinas anunciadas há milênios, desprovidas dos preconceitos provenientes das falsas ideologias. Estudo para comprovarem suas manifestações ao longo dos séculos. Fé para libertarem-se dos condicionamentos causados pelos negativistas de todos os tempos, que ainda vivem sob o jugo das paixões e da profunda ignorância espiritual.

            Embora sempre tenha havido revelações locais, destinadas a coibirem a brutalidade dos diversos povos, imperam no mundo três principais revelações divinas: a primeira, representada pelos Dez Mandamentos, teve em Moisés seu revelador; a segunda tem em Jesus Cristo a figura central; e a terceira, prometida por este para ficar eternamente entre nós, é o Espiritismo, também chamada Doutrina dos Espíritos, cuja direção central é a de Jesus.

            Reflitamos nestas palavras de Allan Kardec, ao se referir ao "caráter da revelação espírita" no capítulo primeiro d'A Gênese:

O Espiritismo, partindo das próprias palavras do Cristo, como este partiu das de Moisés, é a consequência direta da sua doutrina. À ideia vaga da vida futura, acrescenta a revelação da existência do mundo invisível que nos rodeia e povoa o espaço, e com isso precisa a crença, dá-lhe um corpo, uma consistência, uma realidade à ideia. Define os laços que unem a alma ao corpo e levanta o véu que ocultava aos homens os mistérios do nascimento e da morte. Pelo Espiritismo, o homem sabe de onde vem, para onde vai, por que está na Terra, por que sofre temporariamente e vê por toda parte a Justiça de Deus. Sabe que a alma progride incessantemente, através de uma série de existências sucessivas, até atingir o grau de perfeição que a aproxima de Deus. Sabe que todas as almas, tendo um mesmo ponto de origem, são criadas iguais, com a mesma aptidão pra progredir, em virtude do seu livre-arbítrio; que todas são da mesma essência e que não há diferença entre elas, senão quanto ao progresso realizado; que todas têm o mesmo destino e alcançarão o mesmo fim, mais ou menos rapidamente, conforme seu trabalho e boa vontade.

        Diz ele ainda que não há quem esteja deserdado, nem quem seja mais favorecido, pois Deus não privilegiou a criação de seus seres. Tudo evolui, todos estamos submetidos à lei do amor, da justiça e do trabalho; não há quem esteja destinado ao mal e ao sofrimento eternos. Demônios, do grego daimónium, são Espíritos imperfeitos, que tanto praticam o mal, quando encarnados, quanto o praticam no mundo espiritual. Eles também estão sujeitos à lei do progresso. E os chamados anjos nada mais são do que Espíritos que aproveitaram essa lei no bem incessante. Enfim, conclui Kardec, todos somos filhos das próprias obras, mas ninguém é deserdado pelo Pai, que preside toda a Criação: Deus!

       Saúde, paz e bem, amigos leitores!

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