A Reencarnação de Pedro na Itália e sua Missão no Brasil

22/06/2022 19:29

          Amigo leitor, hoje tratarei de um assunto controverso, no meio espírita, como já ocorreu com outro tema, cuja polêmica não desejo reacender... Trata-se da reencarnação de Pedro na Úmbria, cidade da Itália, em 18 de agosto de 1886.

          Aos 25 anos, Pedro herda imensa fortuna dos pais. Aos 45, cede toda essa riqueza aos parentes mais próximos. Desejava seguir as palavras do Cristo com rigor: “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam, nem roubam” (Mateus, 6:19- 21). Pedro opta, então, por viver do próprio trabalho, doando aos pobres tudo o que julgasse supérfluo.

          Diz Clóvis Tavares, um dos seus biógrafos, na obra Grandes Mensagens, capítulo 6, que o “Missionário da Era do Espírito” passa a vivenciar, por meio de sua palavra e exemplo, o alicerce do “Evangelho do Cristo”. Emprega, para isso, todas os esforços de sua alma e de sua inteligência.

          Na madrugada seguinte à doação dos bens herdados, Pedro caminhava sozinho pela estrada de Colle Umberto, quando, perplexo e mudo, contemplou ao seu lado Jesus e Francisco de Assis, que o acompanharam durante quase vinte minutos. Era a demonstração de aprovação crística, junto com o Esposo da Pobreza, ao  ato de Pedro.

          Isso aconteceu em 1931, quando Pietro, em português, Pedro, aos 45 anos, publica a obra Grandes mensagens, que antecederia outra, das 24 que escreveu: A grande síntese, intuído por Sua Voz, que Ernesto Bozzano acreditou ser o próprio Cristo.

          A partir do livro Profecias, todos os demais volumes da obra ubaldiana são editados no Brasil, onde passou a morar. Neste livro, o médium intuitivo italiano prevê sua desencarnação em 1971, o que de fato ocorreu. Ele veio para cá em 1951 e, durante vinte anos, até o fim de sua existência, trabalhou e terminou de escrever, na Pátria do Evangelho, sua obra ainda tão pouco conhecida dos espíritas. Alguns destes, sem terem lido um só dos livros de Ubaldi, rejeitam sua obra missionária.

Em Grandes Mensagens, cap. 15, ele anuncia o advento da Civilização do Terceiro Milênio e complementa: “Não nos importem as tempestades que deverão preparar-lhe o aparecimento [...] a humanidade deve ressurgir no espírito, no terceiro milênio”.

          O que me levou a dizer que Pietro Ubaldi poderia ter sido a reencarnação de Pedro? Nada mais, nada menos do que a mensagem psicografada por Chico Xavier, no dia 17 de agosto de 1951, em Pedro Leopoldo, quando ambos os médiuns se encontraram pela primeira vez, e Chico Xavier fez essa revelação. Mas ninguém é obrigado a crer nisso, nem em crer que o Cristo se comunicava com Pietro Ubaldi, embora o modo dessa comunicação seja, como este mesmo afirmou, intuitivo. Além disso, Francisco de Assis, que se acredita ser a reencarnação de João, poderia ser o intermediário dessas mensagens, como também o Espírito de Verdade intermediava o pensamento de Jesus.

A mensagem psicografada por Chico, naquele dia, foi a de Francisco de Assis para Pietro Ubaldi. Outra mensagem foi recebida simultaneamente pelo próprio Ubaldi, assinada por Sua Voz que, como dissemos, Bozzano acreditava ser o próprio Cristo.

          No texto recebido por Ubaldi, Sua Voz confirma o que o Espírito Humberto de Campos afirmara, em 1938, pela psicografia de Chico Xavier: “O Brasil é verdadeiramente a terra escolhida para berço desta nova e grande ideia que redimirá o mundo” (in: Grandes Mensagens, 3ª parte, cap. 3).

          Termino com estas frases de Pietro, que não deixou de ser um apóstolo do Cristo, ainda que não seja o apóstolo do Novo Testamento: “Recomendei e recomendo sempre, principalmente àqueles que podem compreender-me melhor, que trabalhem com espírito de amor e não de polêmica, que se ocupem sempre de construir e jamais de demolir, respeitando as opiniões alheias, mesmo que representem ignorância. Em nossa bandeira está escrita a palavra: amor.” Em síntese, diz o grande médium intuitivo italiano: “O espírito de todas as religiões é: amor”.

Também Pedro dizia: “Mas, sobretudo, tende ardente amor uns para com os outros, porque o amor cobrirá a multidão de pecados” (I Pedro, 4:8). Desse modo, saber quem foi quem no passado não é tão importante, pois, como disse Allan Kardec, no capítulo 15 d’O Evangelho Segundo o Espiritismo: “Fora da caridade, não há salvação”.

 

 

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