A Tarefa da Psicanálise e do Psicanalista

28/10/2020 08:06

             A psicanálise tem como objetivo: o tratamento das doenças (libertação do sofrimento e da dor) e o crescimento da personalidade (porque nem tudo na personalidade é doença).

         Tanto no primeiro, quanto no segundo caso, a psicanálise precisa levar em consideração o período anterior ao nascimento, porque “as experiências da vida precedente se incorpo­ram no eu para se tornarem lição aprendida, e depois impulsos ins­tintivos que emergem do subconsciente” (UBALDI, 2014, p. 185).

          Como no fenômeno geológico em que as camadas estratificadas ficam sobrepostas uma sobre a outra, as experiências das vidas passadas estão armazenadas no subconsciente. Um processo

que foi vivido na forma de consciente sensório numa vida se torna depois automático produto de subconsciente na vida sucessiva; onde e co­mo se constrói a parte determinística de nosso destino, à qual esta­mos fatalmente sujeitos, porque ela é efeito fatal da sementeira feita no passado (UBALDI, 2014, p. 185).

            Para alcançar qualquer um dos dois objetivos, a psicanálise precisa estudar a personalidade. Para diminuir a dor e aumentar o bem estar. Ela precisa descobrir os pontos fracos da personalidade e “fortalecer esses pontos com injeções de positividade, endireitando o caminho errado do ser, na direção da vontade da Lei [a Lei de Deus]” (UBALDI, 2014, p. 158).

A tarefa da psicanálise é a de cons­truir destinos sadios e felizes, dando saúde às almas, curando as do­entes, fortalecendo as fracas, sanando feridas, tudo isto no terreno do espírito, como o médico do corpo faz no terreno da vida física. Hoje só existe o segundo médico. Mas no futuro os dois médicos trabalharão lado a lado, juntando as suas duas sabedorias numa só. para chegar a uma só diagnose, a um só tratamento físico-psíquico, a uma síntese clínica que ao mesmo tempo abrangerá corpo e alma. numa incindível unidade, como de fato é o ser humano (UBALDI, 2014, p. 163).

 

A Tarefa do Psicanalista

            Ao conhecer a personalidade do indivíduo após meticuloso exame, o psicanalista pode então orientar o seu destino “dirigin­do-o, conforme sua natureza e os elementos que contém, para um futuro melhor, onde, por lógicos corretivos de conduta: erros, complexos e sofrimentos sejam eliminados” (UBALDI, 2014, p. 163).

            O psicanalista, depois de ter conhecido o ponto em que se encontra a personalidade de seu paciente, deve orientar essa construção “para que ela se realize da melhor forma para o bem e a felicidade dos homens de boa vontade” (UBALDI, 2014, p. 163). Como regra geral, o paciente deve ser orientado na direção do bem e da felicidade, por isso, a psicanálise está profundamente ligada à moral e à religião, ligada a princípios éticos, pois o bem e a felicidade estão em Deus e na obediência a Sua Lei.

           Por isso o psicanalista deve conhecer, antes de tudo, o conteúdo da Lei para orientar melhor qualquer tipo de tratamento, pois a doença (neuroses e complexos) são efeitos de um movimento no sentido contrário a Lei Divina, do qual cada violação resulta em sofrimento. O remédio, portanto, está na obediência que reconstrói a ordem ao contrário da desobediência que gerou a desordem. A saúde e o bem estar dependem dessa reintegração na ordem, neutralizando a desordem (de onde resulta a doença e a dor). “Assim se pode reconstituir o equilíbrio psí­quico perturbado do indivíduo: corrigindo o erro, que foi a causa, elimina-se a doença, que é o efeito” (UBALDI, 2014, p. 177).

Pode-se então chegar também a esta conclusão: se a primeira causa de uma doença foi um impulso negativo, oposto, de desordem e desequilíbrio, um movimento contra as leis da vida, o que no plano ético se chama culpa, pecado, então a própria doença não somente representa, na forma de dor, como já demonstramos, a lógica consequência do erro, a justa e fatal reação compensadora da parte da Lei, como constitui o pa­gamento da dívida, a devida penitência pela culpa, a necessária expiação, o corretivo do erro, o que é mais idôneo para reconstituir a ordem e o equilíbrio. Então a própria doença representa o tra­tamento da doença, que assim seria um mal como julga a ciência, mas tal só na hora da sua gênese pelo erro, mas que, na hora do amadurecimento atual do processo, seria um mal saudável, um cura­tivo necessário. Então suprimi-lo, como faz a medicina, só como efeito, sem conhecer as causas para as eliminar, significa sufocar o natural descarregar-se do mau impulso, que assim fica comprimido. porque impedido de se desabafar, constrangido a se concentrar até chegar a uma nova explosão, que lhe é indispensável, devido ao impulso equilibrante da Lei. Isto muda os atuais conceitos de do­ença e seu tratamento (UBALDI, 2014, p. 178).


 

Pietro Ubaldi  A psicanálise evolucionista e espiritualista de Pietro Ubaldi → A Tarefa da Psicanálise e do Psicanalista