Carnaval e companhia

06/03/2019 19:56

            Conforme disse em minha última crônica, admiro profundamente a família de Jair, meu primo e, agora retificando o que disse antes, seus quatro irmãos: Altair, Gessy, Conceição e Juracy. Todos filhos de tia Auta, que de alta só tinha mesmo a elevação espiritual.

            Jair, que em outubro fará noventa anos, repito, ainda dirige  o boletim Pirilampo, da Fraternidade Espírita Abel Gomes, em Contagem, MG, e realiza ali, semanalmente,  diversos trabalhos doutrinários. Todos os cinco irmãos colaboram, principalmente, no trabalho social espírita.  

            Por estes dias, recebi um exemplar de seu novo livro, que Jair enviou-me junto com o exemplar do Pirilampo. Na primeira página, à direita, está estampada sua foto; logo abaixo, à esquerda da página, foto do auditório mineiro da casa espírita, atento à expositora do tema da noite. Na foto do Jair, vemo-lo autografando sua nova obra, rica de “causos” vivenciados por esse abnegado seareiro do Cristo. O título do livro é Trajetória de Luz, como tem sido a desses meus queridíssimos primos, ainda que à distância de nós.

            Nesses dias de festa do rei Momo, ao abrir o brinde recebido, curiosamente, o primeiro texto que li foi aquele em que Jair narra suas impressões e conhecimentos espíritas sobre o carnaval. Como todo bom espírita e cristão, o que é a mesma coisa, diz o articulista que não lhe cabe colocar no “índex” essa festa, e muito menos criticar seus adeptos. Em seguida, porém, transcreve alguns fragmentos constantes na obra intitulada Devassando o Invisível, de Yvonne A. Pereira.

            Esclarece-nos Yvonne que os carnavalescos são fortemente influenciados por grande número de Espíritos perversos, que os estimulam aos excessos de vária natureza. Aos seus olhos mediunizados, desfilavam criaturas espirituais bizarras capazes de perturbar mentalmente aqueles que as podem enxergar, como é o caso dos médiuns videntes. Em seguida, cita dois desses seres grotescos.

            São Espíritos vampiros, diz Jair, que sugam as energias vitais dos foliões, que acabam desencarnando cedo, se acrescentarmos a esses “sanguessugas da vitalidade humana” todos os excessos que suas vítimas são induzidas a praticar. Seja pelo consumo de alcoólicos ou mesmo pelo uso de drogas devastadoras, como a cocaína e outros estupefacientes.

            Conclui Jair, com quem concordamos, que “A Doutrina Espírita não é contra ninguém por participar dessa ou daquela festa, já que cada criatura goza do seu sagrado livre-arbítrio, podendo e devendo escolher o que melhor lhe convier”. Entretanto, o próprio Kardec já nos observava: “Diz-me o que pensas, e dir-te-ei com qual companhia espiritual tu estás”. Como essa influenciação ocorre entre Espíritos e encarnados, determinando nossa própria escolha das companhias dentre os últimos, o corolário do pensamento kardequiano é o mesmo do ditado popular: “Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és”.

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