Colhemos o que plantamos

06/01/2021 19:32

            Diz a história que, ao desembarcar próximo ao Monte Pascoal, em Porto Seguro, na Bahia, Cabral pediu a Pero Vaz de Caminha para que escrevesse uma carta ao rei de Portugal, Dom Manuel I, relatando-lhe a visão maravilhosa que tiveram da terra descoberta. A carta fez o maior sucesso. Tanto é assim que, até hoje, é repetida a seguinte frase de Caminha: "Aqui, em se plantando, tudo dá".

            Profundamente grato à terra que iriam colonizar, quando, em 22 de abril de 1500, percebeu que já habitavam aqui alguns cidadãos de costumes diferentes dos cristãos portugueses, quatro dias após aqui chegar, Cabral mandou frei Henrique de Coimbra rezar uma missa na colônia, que somente em 1527 seria chamada Brasil. A intenção era catequizar todos os nativos, a quem passaram a chamar de índios.

            No princípio, imaginaram estar numa ilha, então denominaram-na Ilha de Vera Cruz. Após percorrerem os espaços imensos, perceberam que estavam em local milhões de vezes maior do que uma ilha, então, em 1503, mudaram o nome para Terra de Santa Cruz. Foi descoberta uma inumerável quantidade de árvores da madeira que chamavam, em Portugal, "pau brasil". E por que a quantidade dessa árvore era tamanha, perceberam que somente a comercialização da madeira dela faria de Portugal um país muito rico. Desse modo, decorridos mais de vinte anos de desmatamento e extração do pau-brasil, em 1527, Portugal resolveu rebatizar sua rica colônia com o nome  que passou a ser definitivamente Brasil.

            Hoje em dia, o que temos é jacarandá, mogno e ipê, que, assim como o pau-brasil, estão ameaçados de extinção. Desse modo, apelamos para o Espírito Emmanuel, que nos recomendou o replantio de todas as árvores de nosso país, mas também começar, dentro de nós mesmos, com urgência, a "plantação espiritual". Eis o que ele transmitiu a Chico Xavier, que não perdeu tempo na semeadura divina:

 

[...]

Auxilia a ti próprio, produzindo o bem.

Sem que percebas, vives invariavelmente nas vidas que te cercam.

Se a mentira ou a aversão te visita, não te esqueças de que constituem os frutos de tua própria plantação.

Cada criatura reflete em si aquilo que lhe damos ou impomos.

Nas alheias demonstrações para conosco, é possível analisar a qualidade de nossa sementeira.

Aprendamos a cultivar o auxílio fraterno, o trabalho construtivo, a concórdia santificante e a solidariedade fiel, através de todos os passos e de todos os minutos, porque o amanhã será resposta viva a nossa conduta de hoje, tanto quanto a bênção ou a dor de agora consubstanciam os resultados das nossas ações de ontem.

Caminha iluminando a estrada com os recursos da bondade e da alegria, convicto de que a nossa família na eternidade é constituída de nossas próprias obras, e, desse modo, estarás organizando magníficos moldes espirituais para as tuas novas tarefas na elevação ou na reencarnação em futuro próximo.

 

            Leitor amigo e amiga leitora, o texto completo dessa bela mensagem está na obra Relicário de Luz, sob o título Plantação espiritual, obra publicada pela Federação Espírita Brasileira, cujos recursos são destinados à assistência social e à divulgação do Espiritismo, Consolador prometido por Jesus, como lemos no capítulo 14:15 a 18 do Evangelho de João. Também desse modo, "em se plantando, tudo dá". Paz e bem!

 

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