Um Natal com Machado

26/12/2018 10:13

            Enquanto comemorávamos a vinda ao mundo do Cordeiro de Deus, com rabanadas, tender, sucos, vinhos etc., conversávamos sobre diversos temas, menos sobre o homenageado. Nisso não vai nenhuma crítica, pois os diálogos variavam da política aos crimes e destes aos vídeos pornográficos de WhatsApp que parentes e amigos compartilham.

            A conclusão a que cheguei, em relação à questão do sexo, tão vulgarizada em nossos dias, em diálogo com um irmão, foi a seguinte:

            — No meu entendimento, meu querido irmão, o sexo banal, realizado sem qualquer comprometimento moral, é puro instinto animalizado, eu falei.

            — Também penso assim, ele respondeu-me. Há alguns anos, quando alguém desejava ver cenas picantes na internet, a pessoa ocultava de sua esposa o que estava vendo ou, no caso desta, ocultava do marido o que não desejava que ele visse. Atualmente, a nossa privacidade é invadida com esses compartilhamentos no celular e até as crianças podem ter acesso fácil a eles.  

            — Antigamente, eu disse-lhe, bastava à sociedade que alguém fosse casado, tivesse filhos e uma relação matrimonial estável para que não pairasse sobre si qualquer dúvida sobre sua opção sexual. Atualmente, a todo tempo é preciso demonstrar que não se aderiu à moda da libidinagem. É por isso que às vezes costumo pedir mentalmente: — Para o mundo, que eu quero descer!

            — E a criminalidade? já foi calculado um número próximo de setenta mil assassínios, no Brasil, a cada ano.

            — Recorde mundial, confirmei ao Paulinho, meu querido irmão. Acredito que somente a educação responsável, sem o viés materialista porá fim, no médio prazo, a essa triste  estatística.

            De repente, eis que Machado de Assis, presente ao conclave familiar, entra na conversa:

            — Meus caros, segundo Emmanuel, ausente por ter sido convidado à comemoração do Natal pelo Senhor em Mundo Sideral, Deus, em sua bondade e sabedoria, corrige amando. Ao contrário dos homens, que enviam o criminoso à condenação com penas cruéis e os atira a prisões úmidas e infectas, nosso Pai Eterno exige somente o retorno à carne de todo ser ainda imperfeito para sua redenção por meio de expiações e provas.

            — Amigo Bruxo, haja vista a ausência do nobre Emmanuel, você poderia brindar-nos com um dos seus poemas em homenagem ao natalício de Jesus? Pedi-lhe.

Machado não se fez de rogado e brindou-nos com o seguinte poema antes de se despedir de todos nós:

 

A presença de Deus (J.L.O.)  

 

Perguntava aquele filho

A seu douto genitor

A respeito de alguns temas

Sobre o Supremo Senhor:

 

— Pai, onde é que Deus está?

— Ele está em toda a parte,

No espaço, na Terra e mar...

E até no singelo altar...

 

— Mas como podemos vê-Lo?

— Na vastidão do universo,

Na força da natureza

E até num bonito verso...

 

— Porém, como percebê-Lo?

— Nas conquistas da Ciência,

Nos pensamentos dos sábios,

E na nossa Consciência...

 

— Podemos, pai, ouvir Deus?

—Nos pios de um passarinho,

Nos zumbidos de um inseto,

No amor provindo de um ninho...

 

— Que fazer para senti-Lo?

— No banho da cachoeira,

Nos raios do Sol ameno,

No perfume da roseira...

 

— Em tudo Ele está presente?

— Vivemos no seio d’Ele...

Sendo Deus o nosso Pai,

Tudo vem e volta a Ele.

 

Deus é o Amor Infinito!

Ele está em toda parte,

Está dentro de você,

E na beleza das artes.

 

E por ser Deus puro Amor,

A ninguém tem por eleito.

Deu-nos por modelo o Cristo,

Dentre nós o mais perfeito.

 

O nosso Mestre Jesus,

Que nasceu pobre em Belém,

Mas que pregamos na cruz,

E nunca matou ninguém...

 

Pois Ele bem que sabia

Que, por ser bom e imortal,

Logo ressuscitaria,

E o bem sempre vence o mal.

 

Aqui deixo meu abraço

À família universal.

Aperte mais esse laço.

A todos, feliz Natal!

                     

Nota do autor: À exceção das citações, todos os textos de minhas crônicas são fictícios, ou seja, de minha elaboração pessoal ou por mim parafraseados. Nada há neles que se possa dizer ter sido psicografado, exceto o que for mediúnico e, nesse caso, referenciado.

 

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