Em tempo de pandemia

29/04/2020 20:50

            Allan Kardec explica, no cap. III, item 5 da sua obra intitulada O Céu e o Inferno, ou a Justiça Divina Segundo o Espiritismo, que todos nós possuímos a natureza corpórea e a espiritual. E acrescenta: "O Espírito é o ser principal, racional, inteligente, o corpo é o envoltório material que reveste o Espírito temporariamente, para o cumprimento de sua missão na Terra e a execução do trabalho necessário ao seu adiantamento".

            Em seguida, conclui: "Sem o Espírito, o corpo não passa de matéria inerte, qual instrumento privado da mola que o faz agir; sem o corpo, o Espírito é tudo: a vida, a inteligência. Ao deixar o corpo, retorna ao mundo espiritual, de onde havia saído para reencarnar".

            Quando passamos a ter a convicção disso, nada mais nos abala o estado psicológico. Logicamente, isso não significa que não tenhamos que ter cuidado com o corpo, mesmo após a desencarnação de uma pessoa querida. Essa é uma homenagem justa e digna que se presta a tais pessoas. Mas a melhor homenagem que lhes prestamos é a lembrança dos bons momentos de nossa convivência, são as nossas orações, sejam estas de solicitação de auxílio divino para elas, ou de gratidão pelo bem que fizeram quando encarnadas. Nesse caso, não tenhamos dúvida de que estão muito melhor agora do que estavam quando no corpo físico.

            Devemos refletir, ainda, que as mais longas existências havidas aqui na Terra não passam de cento e poucos anos. É por isso que as pessoas idosas adquirem sabedoria, experiência, mas, se pudessem, trocariam seu velho corpo por outro, jovem, para recomeçar a vida em melhores condições, pois só o corpo envelhece, a alma está sempre sendo mais aperfeiçoada, ainda que em corpo senil, quando já vive mais na pátria espiritual do que na Terra. A reencarnação permite-nos o recomeço da existência com vistas a evoluirmos sempre, mesmo que não nos lembremos do que fizemos em vida anterior, o que é uma proteção provisória, pois no mundo espiritual, donde viemos e para onde retornaremos, poderemos lembrar-nos  de nossas passadas existências.

         Desse modo, assim como uma roupa velha, que substituímos por outra nova, o mesmo ocorre com o corpo físico, que precisamos respeitar e valorizar até o fim, pois, como tudo o mais que é matéria, aqui na Terra, ele é um empréstimo de Deus para o bom cumprimento da missão e trabalho citados pelo Codificador do Espiritismo.

            Nessa convicção, que só o estudo, a reflexão e a prática do Espiritismo nos proporciona claramente, suportaremos resignados e confiantes em Deus quaisquer provas ou expiações que forem necessárias ao nosso aperfeiçoamento espiritual.             Os filósofos e poetas, intuitivamente, sabem disso.

            Concluamos, com esta quadra:

Hoje é dia de vida abençoada

Não morremos jamais, pois não existe

Despedida, por mais pareça triste,

Que não seja, no além, nova Alvorada.


 

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