Em torno de tormentos...

04/03/2020 17:09

            O livro Tormentos da obsessão, psicografado por Divaldo Franco,  é verdadeiro manual de psiquiatria espiritual, que nos alerta sobre as imensas responsabilidades de quem detém uma missão, em especial no campo da Doutrina Espírita, que nos exige coerência entre o que pensamos, falamos e fazemos. Os casos citados lembram-me, guardadas as proporções, as experiências que tive, há 47 anos, no pavilhão de neuropsiquiatria do Hospital Central do Exército, no Rio de Janeiro quando ali estagiei, durante curso de enfermagem militar, na juventude.

            Era com imenso carinho que eu observava e cuidava dos enfermos internados, nesse pavilhão, que apresentavam distúrbios mentais. Durante cerca de um mês, comparecia ali, diariamente. Meu respeito e compaixão para com aqueles internos granjeou a simpatia e gratidão do sargento de saúde responsável pelo setor. Minha profunda admiração pelos profissionais da psiquiatria, que eu considerava semideuses, começou ali, embora jamais me sentisse capaz de, um dia, formar-me em medicina e especializar-me em psiquiatria ou mesmo psicologia.

            Atuei, sim, dez anos mais tarde, e durante vinte anos, com turmas de Psicologia, no Centro Universitário de Brasília (UniCEUB). Mas ali lecionava a disciplina Língua Portuguesa aos alunos que iniciavam o curso. Foram eles que me sugeriram a adoção de um livro, de minha própria autoria, destinado a pesquisas e produção de textos. E foi o que fiz. Após três edições pessoais da obra Texto Técnico, a Editora Vozes aceitou minha proposta de publicar o trabalho com novo título: Texto Acadêmico, que, no ano passado, a editora reimprimiu sua décima edição...

            Após pausa para o comercial, retomo a narração.

            Um dos médicos militares que conheci, no hospital citado na introdução, era espírita, o que aumentou minha admiração por ele, em virtude dos subsídios espirituais por ele obtidos na compreensão e tratamento dos internos, além de seus conhecimentos acadêmicos relevantes.  Como eu, então, já me iniciara nos estudos espíritas, refletia em que, no mundo físico, a terapia dos enfermos mentais e do cérebro baseia-se, predominantemente, na administração das drogas psicotrópicas, ainda que a essa terapia também possa ser associado o tratamento psicanalítico.

            No plano espiritual superior, todavia, os recursos energéticos e os que são voltados à reestruturação mental do Espírito enfermo é que predominam. Exemplo disso, encontramos no capítulo 16, página 219 desta obra[1].

            Os eletrochoques que o Espírito Dr. Ignácio Ferreira cita, na página 218, também, em casos extremos, eram aplicados aos pacientes agressivos do hospital em que estagiei. Na época, tal recurso era comum em qualquer nosocômio psiquiátrico... Lembro-me, ainda hoje, da expressão de horror dos internos que se dirigiam à sala desses tratamentos. No entanto, eles pareciam conformados em que, na sua situação, somente assim estariam livres, ao menos por algumas horas, dos seus tormentos mentais.

            Certo dia, um jovem militar em tratamento, a quem eu perguntara como se sentia, respondeu-me que era incomodado por inúmeros pensamentos em sua cabeça. Tranquilizei-o com a informação de que isso, até certo ponto, era normal, mas recomendei-lhe que orasse, até se sentir melhor. Ele agradeceu-me e, já ali, senti quanto são importantes os recursos espirituais da prece, do passe e da água energizada, recomendados nas obras espíritas, como o livro em análise, em complemento ao tratamento dos enfermos mentais, quase sempre vítimas de entidades obsessoras.

            Miranda informa-nos que suas experiências durante o mês em que estagiou no Hospital Esperança auxiliarão  todas as pessoas infelizes, porque as "[...] despertarão para os elevados compromissos assumidos perante a Consciência Cósmica e os seus guias espirituais ante o renascimento físico" (FRANCO, 2013, p. 13).

            Vale a pena, não somente ler, mas estudar e refletir sobre tudo o que Divaldo Franco psicografou em Tormentos da Obsessão. Não à toa, esse médium fora do comum, nonagenário, continua lúcido e bem informado sobre todos os problemas psicológicos, psiquiátricos e espirituais que assolam a sociedade atual. Seus mentores sabem o que dizem, e ele vivencia o que aprende.

 


[1] MIRANDA, Manoel Philomeno de (Espírito). Tormentos da Obsessão. Psicografado por Divaldo Pereira Franco. 10. ed. Salvador, BA: 2013.

 

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