Ensinar e Educar

27/02/2019 09:14

Toda a moral de Jesus se resume na caridade e na humildade, ou seja, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho. Em todos os seus ensinamentos, mostra essas virtudes como sendo o caminho da felicidade eterna. Amai o vosso próximo como a vós mesmos; fazei aos outros o que desejaríeis que vos fizessem; amai os vossos inimigos; perdoai as ofensas, se quereis ser perdoados; fazei o bem sem ostentação; julgai-vos a vós mesmos antes de julgar os outros (Kardec, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. 15, it. 3).

 

            Tenho um primo mineiro que é espírita de berço. Fundou e dirigiu  centro espírita, casou-se, adotou quatro filhas e escreveu cinco livros. Seu nome é Jair Ribeiro de Oliveira. Sua mãe chamava-se Auta, mas era tão baixa que mal chegava a metro e meio de altura. Era, como outros irmãos seus, espírita-cristã. Quando eu era jovem, passei uns dias em sua casa, em Juiz de Fora, MG, e pude constatar pessoalmente a bondade de tia Auta e suas duas filhas, Gessy e Conceição, que, como seus dois irmãos, Jair e Altair,  seguiram a crença materna e paterna. Todos dedicados à obra da caridade material e espiritual.

         Jair aposentou-se do Banco do Estado de Minas Gerais há algumas décadas. Sua vida, além do zelo com a família, acrescida atualmente de dois bisnetos, é dedicada ao estudo e divulgação do Espiritismo. O mesmo acontecia com sua esposa, excelente médium, já falecida. Ao lado de sua casa, Jair montou uma biblioteca espírita e ali passa agradáveis horas de estudo. Atualmente, está com 89 anos, mas vai, quase todo dia, ao Grupo Espírita Luz Divina, em Contagem, MG, no qual já exerceu diversos cargos: diretor, passista, evangelizador, expositor e, ainda hoje, editor do jornal da instituição: Pirilampo. Em Belo Horizonte, fundou o Centro Espírita Paz e Amor.

         O primeiro caso que narra em sua obra intitulada Crer ou não crer é o do famoso orador religioso que arrancava lágrimas na plateia, com suas brilhantes palestras. Certo dia em que preparava o sermão sobre a importância do amor, tema que desenvolveria no domingo seguinte, tocaram a campainha de sua casa. Ao atender, deparou-se com um mendigo, que lhe pediu comida. Em resposta, disse ao pobre homem que se encontrava só em sua casa e não sabia se havia ali sobra de comida. O pedinte insistiu e, nervoso, o religioso bateu a porta em sua cara.

         No lindo domingo de céu azulado, o templo regurgitava de gente para ouvir a palestra do religioso, que fez emocionante sermão. Tão logo ele concluiu sua pregação, porém, ouviu-se uma voz troar no final do salão:

“— Gente, não acredite nesse homem. Ele é um enganador. Estive em sua residência pedindo comida e ele, com esse amor mentiroso, além de não me socorrer, bateu a porta na minha cara sem nenhum sentimento de caridade” (OLIVEIRA, J. R. Crer ou não crer. Contagem, MG: Itapuã, 2003).

         Jair conclui que é perigoso receitar a outrem o que, para nós, não passa de teoria brilhante. Por isso, é importante refletir no ensinamento desta mensagem que recebi pelo WhatsApp: “É mais fácil ensinar do que educar. Para ensinar, você precisa saber, mas para educar você precisa ser”.

         Há muita gente, no meio religioso, como esse pregador. Entusiasma com a beleza da mensagem, mas não se esforça em praticá-la... exceto quanto à recomendação a outrem.

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