Entrevista com Zilda Gama II

29/09/2021 14:30

Salve, leitores!

 

Dias após o primeiro encontro, fui recebido por Zilda Gama no gabinete da diretoria. Continuando nossa entrevista, ela disse-me que, finalizando suas orientações, Kardec lhe recomendou: "Cinge-te de coragem, fé, benevolência, cumpre sem desfalecimento, e sem deslizes, todos os teus deveres sociais e divinos, e conseguirás ser triunfante.”

— Zilda, as orientações de Kardec foram úteis para você? — perguntei-lhe.

— Tudo quanto me foi revelado, na época, ocorreu como Kardec disse. Passei por grandes dificuldades para imprimir as primeiras obras mediúnicas, entretanto, ao serem publicadas, elas obtiveram grande sucesso. Milhares de leitores enviaram-me cartas comoventes, em que prometiam pôr em prática seus elevados ensinamentos.

— Que outros espíritos se comunicaram em Diário dos Invisíveis, além de Allan Kardec?

— Recebi mensagens de grande elevação dos espíritos Victor Hugo, D. Pedro II, Maria, Pedro, Marietta (Maria Antonietta Gama, irmã falecida), Mercedes e Affonso.

— É verdade que o Espírito Marietta lhe ditou vários poemas?

— Sim. Minha irmã desencarnada sempre gostou de ler e escrever poemas. Sua poesia mediúnica é de grande beleza e consolo para nós, os que ainda transitamos na matéria.

— Você poderia citar-nos um dos  poemas dela que nos oriente sobre a prece antes de adormecermos à noite, para que tenhamos a proteção divina contra as más influências espirituais durante nosso sono?

— Boa pergunta. Muitas pessoas deitam-se, a cada noite, sem a preocupação com o que lhes poderá ocorrer nessas horas em que já não se encontram despertas. Não nos podemos esquecer de que algumas pessoas desencarnam durante esse período da vida. Caso não se preparem para sua desencarnação, em especial à noite, poderão passar por grande confusão mental. Além disso, a prece atrai a companhia dos bons espíritos que simpatizam conosco, assim como a proteção divina. Então, o Pai Nosso ou este soneto de Marietta são modelos de súplicas a Deus recomendáveis à noite:

 

Prece Noturna

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Pai, minh'alma contrita e reverente,

após do dia as lutas tormentosas,

eleva-se à amplidão resplandecente

onde abrolhastes sóis e nebulosas...

 

Acolhei-a, Senhor, piedosamente,

tal como um ninho, às aves temerosas;

Não na deixeis rolar penosamente

ao abismo das faltas tenebrosas...

 

Dai-lhe, Senhor, conforto às duras penas,

dai-lhe coragem, fé, tenacidade,

pra resistir às turbações terrenas;

 

Inundai-a de bênçãos e de luz,

dai-lhe pureza, paz, serenidade,

até depor no Céu a sua cruz !

 

— Que linda prece, Zilda! Preciso refletir em cada estrofe dela, para que possa dormir sob a proteção divina. Muito obrigado. Entretanto, como da vez anterior, em virtude do limite do espaço, precisamos despedir-nos.

—  Agradeço-lhe igualmente, Jó, pelo seu carinho e alta consideração. Também preciso preparar uma aula sobre a prece, que pedirei à minha irmã Marietta  ajudar-me a expor a todos os nossos irmãos que, neste momento dormem.

— Adeus, irmã, breve nos reencontraremos.

— Saúde, paz e caridade, Jó. Você ainda precisa trabalhar bastante, antes de nos reencontrarmos. Então, sempre a sua disposição, despeço-me com fraternal abraço.

— Disso não tenho dúvida. Até breve.

 

 

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