Nova entrevista com Kardec e Di sobre a origem do Espiritismo

03/11/2021 14:15

Salve, leitores amigos,

 

            Lembram-se de que em minha primeira entrevista com Allan Kardec sobre a origem do Espiritismo ele prometeu-me novo encontro, com a permissão de Jesus? Pois bem, tive a felicidade de reencontrá-lo à porta do café da rua Saint-Anne, em Paris, quando para ali fui transposto em novo devaneio espiritual.

            Após nos cumprimentarmos, alegremente, sentamo-nos à mesa e, enquanto o garçom nos servia novo cafezinho, reiniciei a entrevista.

            — Irmão Allan, os Espíritos sempre se manifestam quando o médium deseja sua presença?

            — Isso não é possível, a não ser que nós o queiramos e tenhamos permissão... "Não se podendo provocar os fatos, é preciso esperar que eles se apresentem por si mesmos; muitas vezes esses fatos ocorrem por efeito de circunstâncias em que menos se pensa."

            — É verdade. Em meus modestos estudos de algumas décadas, tenho percebido que fatos incríveis têm ocorrido em minha vida, mas por vezes eles levam anos para se manifestar.

            — É desse jeito mesmo, Jó, que Deus nos permite interagir com os chamados "vivos", embora a vida plena se manifeste é aqui, onde já me encontro desde 31 de março de 1869. "Para o observador atento e paciente [como você], os fatos são abundantes, porque ele descobre milhares de matizes característicos que, para ele, são raios de luz."

            — Por que ocorrem tantas contradições nas mensagens, agora que os Espíritos se encontram no plano espiritual?

            — Irmão Jó, assim como se dá no mundo físico, "sendo os Espíritos muito diferentes uns dos outros, do ponto de vista dos conhecimentos e da moralidade, é evidente que a mesma questão pode ser resolvida em sentidos opostos [...]". Se você fizer a mesma pergunta a um sábio e a um ignorante, é lógico que as respostas não serão do mesmo nível. "O ponto essencial, já o dissemos, é saber a quem nos dirigimos."

            — E por que, então, por vezes, as respostas de Espíritos considerados superiores divergem?

            — Jó, assim como ocorre com os encarnados, mesmo entre os Espíritos superiores, o conhecimento varia, mas isso acontece mais na forma do que no conteúdo das mensagens. Diversas causas podem influenciar nessas diferenças, independente do caráter do Espírito comunicante: a natureza da pergunta, a capacidade de filtro mediúnico do médium e das pessoas que registram suas comunicações etc. "É por isso que dizemos que esses estudos requerem atenção demorada, observação profunda e, sobretudo, como o exigem todas as ciências humanas, continuidade e perseverança". Não se pode adquirir a ciência do infinito em poucos anos...

            — É verdade, Kardec, lembro-me de que você disse que, quando desejam, os Espíritos podem reproduzir fielmente a caligrafia que tinham em vida física, além de se mostrarem e revelarem fatos que deixam estarrecidos os mais céticos. Pelas informações que li, isso ocorreu com um sábio que divertia-se ridicularizando o Espiritismo, quando o Espírito de sua mãe manifestou-se claramente a ele e, após beijá-lo, disse-lhe estas palavras carinhosas: "Cesare, fio mio".

            — Certo, após a materialização do Espírito materno, César Lombroso (Cesare em italiano) retratou-se de tudo o que assacara contra o Espiritismo. E ainda fez mais, escreveu a obra Hipnotismo e Mediunidade, na qual narra o fato. Esse fenômeno reproduziu-se várias vezes, sob a mais rigorosa observação. A médium de materialização chamava-se Eusápia Paladino. Lombroso explica que havia pequena diferença formal entre o que o Espírito materno, materializado por Eusápia, lhe disse e o que a mãe dele dizia, em vida física, quando ela costumava chamá-lo um pouco diferente: "Cesare, mio fiol". Mas que importa a forma, se o fundo do pensamento é o que interessa, para os Espíritos, como eu já informei na introdução d'O Livro dos Espíritos? (it. 13).

            — Em virtude do adiantado da hora, despedi-me de Kardec, que prometeu retornar oportunamente, com a permissão do Espírito de Verdade, representante do Cristo, para a continuação de nossa entrevista.

            Passo agora a relatar aos leitores amigos o sonho que tive na última noite (31 de outubro), com Divaldo Franco (Di).

            Ele estava sentado em frente a uma mesa e respondia perguntas de diversas pessoas, entre as quais estava eu. Em dado momento, Di levantou-se, pegou um livro que já fora revisado por mim e que ele psicografara e passou a caminhar comigo, folheando a obra. Rapidamente, o que nem era preciso, pois ele já sabia disso, expliquei-lhe sobre minha atividade de revisor voluntário de algumas obras publicadas pela Federação Espírita Brasileira (FEB).

            Foi então que Di perguntou-me se eu iria revisar a próxima edição daquele livro psicografado por ele.

            Emocionado, peguei a obra e vi que o excelente trabalho precisava apenas de alguns ajustes formais e na diagramação dos textos. Coisa de copidesque...

            Di agradeceu-me pelo trabalho e, após abraçar-me, despediu-se de mim com um beijo na face.

            Então, meus amigos, o conhecimento das verdades do Espírito não é uma bênção em nossas vidas? Só é preciso discernimento, observação, estudo e, sobretudo, prática do bem, nos limites de nossas forças. De resto, é só felicidade e liberdade com responsabilidade.

            Até breve, Kardec, Di e leitores amigos!

 

Aviso: Entrevista fictícia, baseada nos itens 12 e 13 da introdução d'O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec e Hipnotismo e Mediunidade, de César Lombroso, edições FEB. Sonho real.

 

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