O crime (doença) e o criminoso (doente)

27/03/2018 21:47

Infelizmente, ainda há muitos seres humanos que, movidos pelos sentimentos de indignação e impotência diante dos crimes considerados hediondos, entendem que o justo seria o(s) criminoso(s) sofrer(m) na mesma medida (colher exatamente o que plantou. A famosa expressão “olho por olho e dente por dente”).

Contudo, ao pensarem assim como se fosse a mais pura justiça, ignoram, por completo, que: a) estão exigindo das autoridades públicas competentes ações igualmente cruéis (mesmo sob o comando da lei); b) há grande possibilidade de haver condenação de pessoas inocentes; c) estão impossibilitando o criminoso de se conscientizar, arrepender, expiar, regenerar e reparar (faça o bem não importa a quem); d) estão sujeitos, bem como seus familiares e amigos, a cometerem crimes; e) cada ser humano está num nível intelectual, moral, espiritual, econômico, social e familiar distinto, o que requer olhar diferenciado sob a sua culpabilidade; f) quase todos os crimes não são premeditados, mas sim fruto de violenta emoção, inclusive, sob o efeito de entorpecentes; g) ninguém se torna os males que praticou, isto é, prossegue na condição humana tendo direitos e virtudes (mesmo que ignoradas pela sociedade); h) a justiça é a união do amor com a sabedoria e não do ódio com a ignorância e i) somos todos irmãos com dever de fraternidade, especialmente em benefício dos miseráveis de amor e misericórdia.

Se não bastasse há a seguinte ótica: “o crime é a doença e o criminoso o doente”. O médico não quer exterminar o doente, mas sim a doença.

Por fim reflitamos na seguinte frase de Gandhi: “De olho por olho e dente por dente o mundo acabará cego e sem dentes”.

 

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Sobre o autor

Luciano Chacha de Rezende

é Analista do Poder Judiciário de Mato Grosso do Sul. Especialista em Direito Constitucional pela Universidade Anhanguera-Uniderp (LFG); Especialista em Direito Público pela mesma Instituição; Especialista em Direito Tributário pelo IBET.

contato: lucianochacha@gmail.com