O Suave Jugo de Jesus

15/06/2022 20:33

            Amigos, passei um tempo de minha atual existência, pouco mais de duas décadas,  aprendendo sobre valores cívicos, patriotismo, honestidade e disciplina. Tudo isso sem deixar de praticar esportes saudáveis. Nessa época, alcancei a graduação de sargento do Exército, como já lhes disse noutra ocasião. Antes, fiz o curso de cabo da função (QM para os militares) de rádio operador, motivado pela suposição ingênua de que, para alcançar outros patamares militares, o Exército me proporcionaria condições ideais.

            Infelizmente, ainda hoje não é assim, o que é lastimável. Exemplo disso é que, ao ser aprovado no concurso para sargentos, optei por mudar de formação e cursei por dois anos o curso de saúde militar. Mas esse curso, em minha época, havia perdido alguns destaques: primeiro, continuei o curso como soldado, mesmo tendo sido aprovado em primeiro lugar no curso de formação de cabos; segundo, na vida civil, o curso, que antes fora equiparado ao de enfermagem, foi “rebaixado” a mero auxiliar de enfermagem, que os colegas, por ironia, chamavam de “padioleiro”. Talvez com razão, não em função das matérias e estágios feitos, mas pelo desprestígio em que caiu o curso. Falo com o conhecimento de quem, anos depois, foi professor de língua portuguesa a alunos de diversos cursos acadêmicos na área de saúde. Um deles foi o de enfermagem.

            A vida militar, contudo, proporcionou-me sair do Rio de Janeiro, minha terra natal, passar ano e meio em Salvador, em convívio com uma juventude espírita de nível escolar muito superior ao meu, ser transferido para Barreiras, BA, onde tive a honra de conhecer confrades idealistas e, três anos depois, ser transferido para Brasília...

            Antes de virmos para a Capital do Brasil, num belo final de tarde dum dia da semana, enquanto aguardava os colegas de farda, para os exercícios semanais, peguei pedaço de folha e escrevi rapidamente um poema, que hoje creio tenha sido inspirado pelo mesmo Espírito do poema final desta crônica. O título que dei ao texto foi: Quem quiser. À noite, no centro que frequentávamos, a Dra. Lucy, juíza da cidade, que me admirava, embora minha precária formação escolar à época, pediu-me uma cópia do texto, encantada com sua singeleza e demonstração de amor à causa do Espiritismo. Agora, peço ao Miro que me inspire na escrita de novo poema sobre o mesmo tema.

            Pedido atendido, eis aqui a nova versão do tema:  A presença de Deus em nós

 

Quem sente em si nosso Pai,

Quem se faz do Cristo amigo,

E vai caminhando, vai

Sem temer qualquer perigo.

 

Quem ouve o pedido: “Abrace

A causa até do inimigo”...

Do triste se compadece,

Seja ele rico ou mendigo.

 

Quem também compreendeu

O que lhe disse Jesus

Sobre amar cada irmão seu

Inda carente de luz...

 

Quem age assim comumente

Nada teme, sempre vai

Lançando boa semente

No caminho rumo ao Pai...

 

Pois só Jesus, certamente,

Caminho, Verdade e Vida,

Uma bandeira somente

Eleva em nossa subida.

 

Pois ele sendo a Verdade,

Luz dos dias meus e seus,

Disse que sem Caridade

Ninguém chegará a Deus.

 

            Agradeço a inspiração do  bondoso Casimiro Cunha, que, desde o apagar da luz dos seus olhos, ainda na sua última existência física, vem trazendo lindas e singelas mensagens poéticas, do plano espiritual, para todos nós. Esse espírito amigo agora vê com mais amplitude o belo e o bem. E assim transmite-nos, junto aos arautos do Cristo, esse amor eterno do Senhor, o qual nos conduzirá a Deus, nosso Pai e seu Pai, nosso Deus e seu Deus, como disse à Madalena quando, no  episódio conhecido como ressurreição do Cristo,  lhe apareceu em plena luminosidade de seu espírito puro.

            Paz e luz, queridos leitores.

 

 

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