O Tempo de Deus e o Nosso Tempo

13/02/2019 21:56

“Vinde, vós que desejais crer. Os Espíritos celestes acorrem a vos anunciar grandes coisas.” – Santo Agostinho (KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. 27, it. 23.)

 

            No último parágrafo da mensagem de Santo Agostinho, inserida no capítulo III d’O Evangelho segundo o Espiritismo, lemos o seguinte:

 

A Terra nos oferece, pois, um dos tipos de mundos expiatórios, cuja variedade é infinita, mas que têm, como caráter comum, o fato de servirem de lugar de exílio para Espíritos rebeldes à Lei de Deus. Esses Espíritos têm aí de lutar, ao mesmo tempo, com a perversidade dos homens e com a inclemência da Natureza, duplo e árduo trabalho que simultaneamente desenvolve as qualidades do coração e as da inteligência. É assim que Deus, em sua bondade, faz que o próprio castigo reverta em proveito do progresso do Espírito.

 

            Em nossa análise desse trecho, percebemos diversos ensinos:

1º) a Terra, em 1864, data da publicação dessa obra básica do Espiritismo por Allan Kardec, foi classificada como “mundo expiatório”;

2º) a variedade de mundos como o nosso é “infinita”;

3º) os Espíritos rebeldes à Lei de Deus são exilados para esses mundos;

4º) nesses mundos, como no nosso, tais  Espíritos lutam “com a perversidade dos homens e com a inclemência da Natureza”;

5º) esse trabalho penoso desenvolve-lhes a inteligência e o sentimento;

6º) Deus é bondade e também é justiça misericordiosa (mas implacável);

7º) o progresso espiritual, em mundos de expiação, decorre da luta contra dois elementos: o natural e o mal proveniente da ação dos maus.

            Do exposto, concluímos que a Terra ainda é mundo de expiações e também de provas, pelas lutas contra as inclemências da Natureza, que ainda teremos de encetar por longo tempo, se calcularmos esse período  cronologicamente. Entretanto, que são alguns séculos para o homem saído da animalidade há, no máximo, 15.000 anos? A Terra existe há aproximadamente 4,5 bilhões de anos.

            A Astronomia informa-nos a existência de bilhões de estrelas no Universo. Algumas delas milhares de vezes maiores do que nosso Sol. Muitas delas já desapareceram há milhões de anos, outras vão sendo formadas, incessantemente, pois Deus não cessa de criar.

            Se nossa própria estrela de 5ª grandeza, ante o esplendor de outras estrelas, não passa de diminuto grão, comparativamente falando, que seria a Terra, nessa comparação dimensional? Pequenino átomo. Entretanto, diz o Livro Sagrado que Deus criou o homem pouco menor do que os anjos, e de glória e de honra o coroou (Salmo 8:5). Como modelo, deu-nos o Cristo, Senhor da Terra, responsável por todos nós ante Ele, o Senhor do Universo.

            Outros Cristos haverá na infinidade de mundos, assim como cada um de nós foi criado para a perfeição e a felicidade na vida eterna. Porém, isso é resultante de nosso mérito, ou seja, do trabalho e obediência às Leis Divinas. Se formos dóceis a essas leis, evoluiremos mais rapidamente, ainda que isso demande milhares de anos, como também ocorre em relação à Natureza desses orbes. Caso contrário, espera-nos a luta áspera em mundos semelhantes a outros já vivenciados por nós, cujos habitantes lutam contra as inclemências da Natureza e a própria imperfeição. Tal estado foi o da Terra há pouco tempo, ou seja, ainda de dois ou três mil anos para cá.

            Todavia, a Justiça Divina nunca surge desacompanhada de Sua Bondade e Misericórdia. Como Pai que corrige o filho com amor, Ele proporciona-nos, pelo trabalho, a oportunidade de desenvolver a inteligência e o sentimento. É quando ocorre a luta contra as inclemências naturais e as decorrentes das nossas próprias imperfeições.

            Verificamos que, no que tange à inteligência, o progresso da Terra caminha para uma condição material muito melhor do que a existente em meados do século XIX. Hoje, qualquer família de classe média possui condições materiais muito melhores do que as da aristocracia de há dois séculos. O mesmo parece não ocorrer com o aspecto moral da humanidade.

            Mas será mesmo que o homem continua tão bárbaro como ainda o era na época de Kardec, quando até o duelo era oficializado por questões de defesa da dignidade? Será que ainda há pessoas tão embrutecidas que, por um “toma lá, dá cá”, assassinam seu próximo e ficam impunes? Nesse último caso, com certeza, isso ainda ocorre, mas não como era antes. A própria evolução das comunicações, que tornou o mundo uma “aldeia global”, proporciona-nos, atualmente, o acesso muitíssimo maior às informações sobre o mal do que no passado.

            Podemos assegurar, no entanto, com base em estatísticas, que há mais gente do bem na Terra do que do mal (se considerarmos “gente do bem” aquelas que não cometem grandes crimes, que trabalham, constituem família e não estão presas). E a separação simbólica anunciada pelo Cristo, entre bons e maus, já começa a ser feita, mas se ela ainda não é definitiva para o nosso tempo, que é o tempo para Deus e para o Governador espiritual da Terra, Jesus Cristo?

            Acredito que, em nossa época, a humanidade não tardará a perceber que somente vale a pena o usufruto dos bens materiais sem lesar o próximo. Que a lei de causa e efeito é implacável com os maus, mas também é bênção para os bons. E apenas se calcularmos o tempo pelo relógio humano, ainda vai longe a época da Terra prometida pelo Cristo aos mansos (Mateus, 5: 5).

            Quando? Em trezentos, quinhentos anos? Nos mundos superiores, como Júpiter, esse é o tempo de encarnação de cada Espírito.

 

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