O trabalho cura...

27/03/2019 07:52

[...] se alguém nos perguntar qual o melhor recurso para restabelecer ou preservar o equilíbrio, físico ou psíquico, responderemos, sem hesitar: trabalhe e trabalhe! Não perca a bênção das horas, tesouro de valor inestimável que o Senhor nos concede para edificação de nossas almas. /Revele interesse pelas tarefas que lhe foram confiadas; realize pequenos serviços no lar; escreva aos amigos; consagre-se à leitura nobre; estude as obras espíritas; consulte o Evangelho./ Integre-se no serviço do bem, movimentando as pernas na visita ao enfermo; os braços no labor da fraternidade; os lábios na exaltação do otimismo e da tolerância; a mente no cultivo da prece e da meditação; o coração na prática do amor e da caridade. (SIMONETTI, Richard. Para Viver a Grande Mensagem. Rio de Janeiro: FEB. Cap.: Profilaxia da indolência).

 

            Tempo atrás, dissemos aqui que, aos sábados, um grupo de voluntários da Federação Espírita Brasileira (FEB) desloca-se de sua sede, em Brasília, para Santo Antônio do Descoberto, GO. Nesta cidade, a Casa de Ismael desenvolve um trabalho assistencial do seu núcleo denominado Guillon Ribeiro, que funciona em escola pública. Diversos trabalhos são realizados por voluntários da FEB, no local, destinados a adultos, jovens e crianças, tais como: distribuição de cestas básicas, passes, aulas de evangelização e temas relacionados à saúde, orientação jurídica e visitas de assistência espiritual às casas mais sofridas. Participamos desta última atividade.

            Em geral, nossa equipe vai, pela manhã, aos lares de seis ou sete famílias. Há mais de um ano, visitamos o Sr. Z. De início, estava estirado numa cadeira de rodas. Seu estado dava dó. Quase se não podia mexer. Em sua casa, como nos demais lares visitadas, cantamos música cristã, ao toque do violão, lemos e comentamos página de livro de mensagens cristãs-espíritas e aplicamos passes aos necessitados.

            Com o tempo, observamos melhora sensível na situação do citado senhor. Já não estava mais na cadeira de rodas e, sim, deitado em sua cama. Por fim, levantou-se e passou a ir a pé ao centro Guillon Ribeiro. Então, já nos recebia sentado ou em pé, e sua fisionomia era de alguém grato e recuperado da doença que o acometera no passado.

            Ao final do ano, as atividades dos voluntários febianos é suspensa, nas férias escolares, pois nossos trabalhos são realizados durante o ano letivo da escola com a qual a FEB mantém convênio de funcionamento.

            No início de março deste ano, reiniciamos as visitas, começando pela casa do Sr. Z. Durante os primeiros sábados de nossa visita, observamos que ele nos recebera deitado num colchão em frente a sua casa de amplo e vazio quintal.

            Sábado passado, ao chegarmos a sua casa, lá estava o Sr. Z deitado no colchão. Seu pequeno cão vira-latas, como sempre, recebeu-nos festivo. A aparência do seu dono, entretanto, era de quem estava bem fisicamente, embora permanecesse triste e estirado.

            Abrimos o Livro de Respostas, psicografado por Chico Xavier, com mensagens do Espírito Emmanuel, na página intitulada Em ação no bem, e, antes de sucinto comentário, lemos o seguinte:

 

Se te propões à realização de qualquer tarefa vinculada à construção do bem, conta com problemas e dificuldades que te habilitem as forças para isso.

Luta é o outro lado da vitória.

Lembra-te: o aço é o ferro trabalhado pelo fogo.

As boas obras nascem do amor temperado pelo sofrimento.

Deus não te retirou a oportunidade de continuar trabalhando.

 

         Em breves comentários, disse ao nosso querido assistido, entre outras coisas, o seguinte: “o corpo humano foi feito para se mover e não para ficar parado. Caso contrário, nossos órgãos atrofiam-se e morremos por inanição”.

         Ao final dos nossos dizeres, do passe e da prece, o Sr. Z levantou-se, sentou-se no colchão e insistiu para que o aguardássemos fazer um cafezinho para nós.

         Agradecemos-lhe pelo convite e, como  ainda teríamos de visitar outras casas, prometemos-lhe que, noutra oportunidade, aceitaríamos seu convite. Após abraçá-lo fraternalmente, seguimos viagem rumo aos novos compromissos.

            Não há depressão que resista ao trabalho no bem.

            É isto, amigo leitor: em vez do desânimo da vida e da vitimização, trabalhemos incansavelmente em favor do próximo. Desse modo, nossa vida terá valido a pena, pois a quem deseje servir nunca falta trabalho. 

 

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