Os Três Níveis da Personalidade

22/10/2020 11:02

                Vimos que a estrutura da personalidade se divide em duas partes: o consci­ente e o inconsciente, que, por sua vez, se divide em duas partes totalizando três zonas: subconsciente e superconsciente. A primeira zona é a consciência co­nhecida, normal, racional, prática, que todos distin­guem. As outras duas zonas contém o passado (subconsciente) e o futuro (superconsciente).

            Analisando de forma conjunta a estrutura da personalidade temos três zonas, três funções e três sedes: corpo, cérebro e espírito constituem, respectivamente, as sedes do subconsciente (experiência escrita na carne), consci­ente e superconsciente (experiência escrita no espírito); instinto, razão e intuição são, respectivamente, suas funções associadas e que possuem, cada uma, uma fase, de captação (pela intuição), de assimilação (pela razão) e de depósito (pelo instinto). “A personalidade humana, una e trina como o uni­verso, possui, portanto, o organismo instintivo da besta, o cérebro raciocinante do homem, o espírito intuitivo do su­per-homem” (UBALDI, ANCTM, p. 386).

            Outra forma de correspondência que encontramos se dá “entre subconsciente, instinto, animalidade, ondas longas e baixa frequência de um lado, e superconsciente, intuição, espiritualidade, ondas curtas e alta frequência do outro” (UBALDI, ANCTM, p. 381). A evolução é um processo que vai do animal ao super-homem, caminha do subconsciente ao superconsciente “como das ondas lon­gas e baixa frequência às ondas curtas e alta frequência” (UBALDI, ANCTM, p. 381). A compreensão é possível entre aqueles que estão no mesmo padrão vibratório “tendo portanto, partes comuns de ressonância, isto é, que vibram, como já dissemos em capítulos precedentes, com o mesmo comprimento de onda, velocidade e freqüência vibratória, que é o que justamente diferencia o grau de evolução” (UBALDI, ANCTM, p. 381).

            Temos ainda uma correspondência com três tipos biológicos, de acordo com o grau de desenvolvimento individual: a besta, o homem e o super-homem. Na base (corpo) está o animal, feito de instintos (subconsciente). No cérebro, o homem racional (consci­ente). No espírito, a intuição (superconsciente) e o super homem.

Com a evolução o centro consciente tende a passar do nível inferior ao superior. Na escala da evolução uns são conscientes, poder-se-ia dizer, à altura da cabeça, outros à  altura do ventre e outros à altura dos pés. Uns têm a cabeça abaixo do nível dos pés de outros; outros têm os pés acima do nível da cabeça de outros (UBALDI, ANCTM, p. 380).

            Cada tipo biológico corresponde uma forma de ação: instintiva, racional, intuitiva e também três formas de trabalho: captação, assimilação e armazenamento.

Estabelecemos, até aqui, as seguintes relações do subconsciente, consciente e superconsciente com a besta, o homem e o super-homem; com o instinto, a razão e a intui­ção; com o armazenamento, a assimilação e a captação; com o ato terminado, o atual, e o futuro; com a recordação, a ação, e o pressentimento; com o passado, o presente e o porvir; com a cauda, o centro e a cabeça no caminho da evolução (UBALDI, ANCTM, p. 382).

            E ainda: com as ações consumadas (que representam o trabalho feito), com as ações atuais (que representam o trabalho que se faz) e com as tentativas e explorações (que representam o trabalho que se fará). Finalmente, com a lembrança, a ação e o pressentimento.

            No homem estão presentes o mesmo físio-dínamo-psiquismo do cos­mos, razão pela qual a personalidade huma­na pode ser comparada a trindade universal. A estrutura da personalidade funciona de acordo com o físio-dínamo-psiquismo em torno do qual o pensamento

na forma humana, se materializa, pas­sando do superconsciente ao subconsciente, através do dina­mismo do consciente. Temos, também, aqui, portanto, não uma simples estrutura, mas um funcionamento. No ciclo experimental, que acabamos de ver, o dinamismo vem do subconsciente em direção ao superconsciente, tentando a experiência e conquista do alto; no ciclo de assimilação, o dinamismo desce do superconsciente ao subconsciente, ope­rando o armazenamento, a fixação dos resultados da experiência. A descentralização segue-se a concentração no ego. Este dinamismo dúplice e inverso, é o passo segundo o qual a personalidade progride” (UBALDI, ANCTM, p. 379-380 – grifo do autor).

                Temos um sistema trifásico da personalidade no qual, embora o sistema seja único, igual para todos, sua posição é, no entanto, relativa e em graus evolutivos diversos. Um sistema que se movimenta e avança tendo à frente o superconsciente, no centro o consci­ente e no fim o subconsciente.

            Captação, registro e armazenamento de experiências embora se deem de acordo com a escala evolutiva, “o processo, o método, é idêntico para todos, o resultado é sempre ascensão, autoconstrução, progresso da fase evolutiva subconsciente, à fase consci­ente e superconsciente” (UBALDI, ANCTM, p. 382).

            Nos vários tipos humanos, do extremo involuído ao extremo evoluído há infinitas, por assim dizer, posições ocupadas pelo sistema, caracterizando os vários estados psicológicos e vibratórios que são relativos a cada personalidade. Em outras palavras: “O que para alguns é superconsciente, persona­lidade futura, embrional, ainda a ser acabada, para outros é consci­ente em formação ou mesmo subconsciente, isto é, personalidade instintiva já construída” (UBALDI, ANCTM, p. 381). Cada zona (subconsciente, consci­ente e superconsciente) é relativa ao grau de desenvolvimento do indivíduo e pode ocupar diferentes graus na escala da evolução. “O que para o invo­luído é futuro, para o evoluído é passado” (UBALDI, ANCTM, p. 381).

            Tais zonas são relativas a cada indivíduo, em conformidade com o seu grau de desenvolvimento e evolução pessoal, relativas tanto em amplitude quanto em posição.

Aquilo que é consciente ou superconsciente para alguns, pode ser subconsciente (ou seja, caminho percorrido e experiências adquiridas) para outros mais adiantados. Esses limites variam, também, durante a vida do mesmo indivíduo, pois a vida é justamente o período das aquisições e transformações de consciência. A idade mais adequada a essas aquisições — em outras palavras, mais susceptível de educação — é a juventude. A consciência, refeita pelo repouso, é mais propensa à assimilação, ao estabelecimento de novos automatismos, que depois se fixarão indelevelmente no caráter; os primeiros, serão os mais profundos e mais resistentes (UBALDI, AGS, p. 310).

                É preciso salientar que este modelo observado aqui se dá “em relação a um tipo médio situado com o consci­ente no plano da razão, com o subconsciente no plano dos instintos e com o superconsciente no plano da intuição e do espírito” (UBALDI, ANCTM, p. 382). Todavia, de acordo com a evolução, a posição do sistema (e não sua estrutura) se modifica, para cada caso em particular: “Expomos aqui o sistema, a es­trutura da personalidade, e não sua posição evolutiva que muda para cada caso em particular” (UBALDI, ANCTM, p. 382).

            O subconsciente já foi consci­ente, resultado das experiências vividas, campo ativo das formações atualmente cristalizadas e fixadas como instinto: “O subconsciente nada mais é que um consci­ente decaído” (UBALDI, ANCTM, p. 379). O consci­ente, por um lado, será subconsciente amanhã, irá se fixar como produto feito de qualidades assimiladas (instintos). Por outro lado: “O consci­ente não é nada mais que o su­perconsciente coordenado, disciplinado, equilibrado, intui­ção trazida à razão e submetida ao seu controle, elemento incerto e transitório, embora sublime, enquadrado transito­riamente à realidade da vida” (UBALDI, ANCTM, p. 379). O superconsciente, por sua vez, será consci­ente amanhã, ou seja, o que hoje é intuição incompreendida, amanhã será um processo racional normal. “O involuído e o normal tor­nar-se-ão, portanto, conscientes na zona atualmente cober­ta pelo superconsciente, no campo onde hoje é consci­ente a única exceção biológica representada pelo evoluído” (UBALDI, ANCTM, p. 379). Assim se completa o processo de aperfeiçoamento da personalidade, por sucessivas estratificações.

            Uma outra forma de pensar a questão é como o instinto pode ser visto como uma forma rudimentar de racionalidade que, por sua vez, a razão pode ser vista como uma forma rudimentar de intuição: “A intuição pertence a um plano ain­da mais alto; é a forma ainda mais complexa, porém mais primitiva da razão” (UBALDI, ANCTM, p. 377).

Enfim, entre instinto, razão e intuição a diferença está no grau de trabalho para a captação e assi­milação das experiências. A intuição atua no superconsci­ente que é uma antena estendida como antecipação em di­reção aos mais altos e inexplorados graus de evolução, para captar o novo, o inédito, o futuro. A razão atua no consci­ente. Não funciona por raios, como a intuição, é menos rá­pida, porém, mais contínua, mais ordenada, mais segura. Precisamente porque se projeta para menos alto, é mais equilibrada, porém, mais curta e limitada. O instinto é obra terminada, cujos resultados perdem-se no subconsciente, de­positando-se nesse magazin de reservas, como patrimônio da personalidade que aí se pode reabastecer segundo as neces­sidades. A medida que se avança, a fase evolutiva, inicialmente conseguida somente pelos raios da intuição, torna-se domínio normal e controlado da razão, cumprindo a função de assimilação que encontramos terminada no instinto (UBALDI, ANCTM, p. 378 – grifo do autor).

 

 

Pietro Ubaldi  A psicanálise evolucionista e espiritualista de Pietro Ubaldi → Os Três Níveis da Personalidade