Outubro: nasce uma estrela de primeira grandeza - I

09/10/2019 14:37

            No dia 3 de outubro de 1804, em Lyon, França, nasceu Hippolyte Léon Denizard Rivail, filho único de casal católico de classe média, que aos dez anos de idade, já residindo em Paris, após os primeiros anos escolares, foi estudar no Instituto Educacional Pestalozzi, em Yverdon, na Suíça. Essa escola foi criada por Johann Heinrich Pestalozzi, protestante eclético e renomado, devido ao sistema pedagógico que implantou, famoso na Europa.

            Quem poderia imaginar o que o futuro reservaria àquele menino? Ele retornou da Suíça à Cidade Luz, crê-se que aos dezoito anos de idade, com cabedal de conhecimentos muito superior ao que era ensinado em sua época. E, no firme propósito de contribuir para o desenvolvimento do sistema de ensino da época, na França, implantou ali o que aprendeu do método pestalozziano.

            As dissenções e intolerâncias religiosas entre professores protestantes e católicos, por motivos de interpretações dogmáticas, levaram a Instituição de Pestalozzi a irreparáveis prejuízos, até sua extinção futura. Rivail, atento à reflexão do pedagogo de que o mais importante nas religiões é a prática de sua moral elevada, sonhava encontrar o elo para a realização desse objetivo. Esse ideal sublime já se delineara no mundo espiritual, e Jesus Cristo já estava preparando o futuro codificador do Espiritismo para o auxiliar na transformação do mundo...

            Desde seu retorno, Rivail começou a se destacar no ensino de matemática e do idioma francês. Em poucos anos, já possuía vasto domínio do alemão, do inglês e algumas línguas latinas. Traduziu diversas obras do alemão para o francês.

            Aos 19 anos! (dez. 1823), publicou a obra Curso Prático e Teórico de Aritmética, que, por estar sendo impresso no final do ano, trazia a data de 1824. Esta obra continha 624 páginas. Aos 27 anos (1831), publicou a Gramática Francesa Clássica. Esses livros proporcionaram-lhe renome na França.

            Não bastasse isso, Rivail fundou, em Paris, em 1825, a Escola de Primeiro Grau, e, em 1826, a Instituição Rivail. Esses educandários adotaram a metodologia de ensino pestalozziano, cujo princípio era o de que nada deveria ser memorizado sem antes se saber o porquê e para quê do aprendizado de qualquer coisa.

            Em 1832, Rivail casa-se com a professora de Letras e Belas Artes, Amélie-Gabrielle Boudet, poetisa e desenhista, autora de três livros. A partir de então, durante toda a sua existência, o futuro codificador do Espiritismo contaria com o amor e a colaboração diuturna de sua querida e dedicada esposa.

            Amélie Boudet igualmente se converteria à Nova Revelação Divina, à qual dedicaria, também, todos os dias de seus longos e abençoados anos de vida física. Não somente enquanto o marido viveu, como também após a desencarnação deste, a professora Amélie Boudet, junto a abnegados companheiros espíritas, continuaria os trabalhos de divulgação espírita e prática da caridade iniciados por Rivail.

            De 1835 a 1840, Rivail lecionou, gratuitamente, diversas disciplinas: física, química, astronomia, fisiologia, anatomia comparada etc. O método pestalozziano intuitivo-racional foi adaptado por Rivail, que partia sempre do conhecido para o desconhecido, do simples para o composto, da observação para a aplicação.

            Membro de vários institutos e academias francesas, desde a idade de 23 anos, Rivail frequentava a Sociedade de Magnetismo de Paris, a mais renomada da França. Um dos seus amigos, participante também dessa sociedade, foi o Sr. Fortier, que, em 1854, falou-lhe sobre as “mesas girantes e falantes”.

            É conhecida a frase de Kardec sobre o assunto: “— Só acreditarei quando o vir e quando me provarem que a mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que possa tornar-se sonâmbula [...]”.[1]

            No ano seguinte, viu, observou, experimentou, acreditou... Mas isso fica para a próxima crônica.



[1] WANTUIL, Zêus; THIESEN, Francisco. Allan Kardec: o educador e o codificador. Organizador: Zêus Wantuil. 4. ed. Brasília: FEB, 2019, p. 213.

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