Para viver seguros em nossos lares

21/10/2020 19:02

            Notícia de reportagem jornalística televisiva expõe a banalização do crime em nosso país. Um jovem de 23 anos, formado em educação física, casado, vai à cozinha de sua casa pegar um alimento na geladeira. Neste momento, é atingido por uma bala no peito e morre.

            Se isso acontecesse nos Estados Unidos, ou noutro país dito civilizado, teria repercussão mundial, mas foi no Brasil, precisamente, no Rio de Janeiro, onde nasci e residi até a idade de 23 anos, como a do jovem morto.

            Quando saí do Rio, há 45 anos, a violência ali já era alta, mas ainda se podia viver nas suas favelas e ruas com relativa tranquilidade, sem se tornar refém de traficantes e milicianos. Onde foi que o Estado errou? Fácil de responder: na política de combate às desigualdades sociais e no investimento em educação, antes que em repressão ao crime. Não nessa educação ideológica, que mais estimula do que reprime o desejo de violência, mas na educação intelecto-moral.

            Um jovem morreu. Apenas mais um número estatístico sobre consequências da guerrilha urbana que assola o país há décadas. O futuro de cidadão que muito poderia contribuir com a saúde de outros jovens foi extinto de uma hora para outra. E o que é pior: dentro de sua própria casa.

            Agora, sua esposa chora, como Raquel, no relato bíblico,  chorava a perda de seus filhos, "sem querer consolação, porque estes não mais existem" (Jr., 31:15). Atualmente, outra "Raquel" chora, porque seu marido não mais existe. Essa situação é parte de triste estatística brasileira: a das famílias inocentes, brutalmente extintas pelo assassínio dos seus membros fora ou dentro do próprio lar.

            Ah! que falta faz a espiritualidade na formação do ser humano. Não nesta ou naquela igreja, mas na certeza de que nenhum dos nossos atos deixa de nos trazer consequências, boas ou más, dependendo do bem ou do mal praticado por nós. Pois a lei de Deus reside em nossa consciência.

            A ignorância da lei de causa e efeito, por grande parte da humanidade, aliada à falta de políticas voltadas à educação intelecto-moral e correção das desigualdades sociais respondem pelo que estamos assistindo ou sofrendo no dia a dia de nossas existências.

            Ao longo de milênios, vem sendo constatado que "violência gera violência". Isso não significa que não devamos reprimir o crime, muito menos que tomemos o poder pela força, mas que precisamos educar o criminoso antes deste ser atraído para o crime. O que o sistema penal tem feito, ao longo dos milênios, é vingar-se do malfeitor, antes ignorante ou doente do que mau.

            Eduquemos, pois, crianças, jovens e adultos à luz dos conhecimentos atuais da Doutrina Espírita, que não veio substituir nenhuma religião, mas confirmar as revelações divinas. Somente assim, nossa sociedade andará nos caminhos da justiça social, da segurança, da paz e da felicidade, que devem principiar dentro dos nossos lares.

 

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