Tirar a Própria Vida Agrava o Sofrimento

04/05/2022 19:13

            Amigos, nunca é demais lembrar a quantidade imensa de alertas que o mundo espiritual nos tem dado sobre as tristes e angustiantes consequências do suicídio. Um desses inúmeros alertas é o do espírito poeta Honório Armond, pela psicografia de Chico Xavier. O poema é um soneto. O título é suicida. O livro é Poetas redivivos, e o capítulo é o 97.

 

SUICIDA  (Honório Armond)

 

Preso e liberto, em treva e luz, a simultâneo

Jogo de angústia e horror, junge-se à carne morta...

Varara a sepultura, agredindo-lhe a porta;

Estraçalhara a tiro as tênebras do crânio.

 

Desencarnado, enfim, mas cativo à comporta

Da consciência a esvurmar-lhe o cérebro vulcâneo,

Foge à furna e recua a terror instantâneo,

Chora e espanta-se mais, grita e se desconforta...

 

Suicida!... Morto e vivo, arrasta-se, tateia,

Ergue-se, treme, cai... Respira lodo e areia,

No recinto abismal, sofre a verdade crua...

 

E, lá fora, a esperá-lo, o caminho opulento,

O céu, a terra, o lar, a fonte, a flor, o vento...

Buscara a morte em vão... A vida continua!...

 

        O soneto é estruturado em versos alexandrinos, ou seja, com doze sílabas em cada linha (chamada verso na poesia). Como ocorre em todos os poemas desse tipo, ele possui quatro estrofes: dois quartetos e dois tercetos, somando-se ao todo 14 versos. As rimas são no esquema ABBA, BAAB, CCD, EED, que exigem uma técnica apurada.

        E pensar que o Chico, psicografando, escrevia esta e outras obras primas instantaneamente, sob a influência deste e de centenas doutros espíritos. A linguagem é de um padrão elevado. Mesmo as pessoas mais cultas necessitam, por vezes, recorrer ao dicionário, para buscar-lhe o significado conotativo ou denotativo de algumas palavras no poema.

        Exemplos disso, lemos no quarto verso da primeira estrofe: "tênebras do crânio": trevas mentais (expressão figurada); no segundo verso da segunda estrofe: "esvurmar-lhe o cérebro vulcâneo": ter a sensação de pus saindo do cérebro como labaredas vulcâneas; no terceiro verso da segunda estrofe: "foge à furna": foge de local cavernoso. E "recinto abismal", citado no último verso da terceira estrofe, refere-se às profundezas da Terra, para onde costumam ir seres criminosos. Ali, em tempo somente previsto por Deus, após indefiníveis momentos de angústia e desespero, que lhes parecem eternos, atormentados por entidades perversas, esses espíritos serão socorridos. Nesse sentido, muito os auxiliam nossas orações, acrescidas de seu arrependimento e súplicas a Deus.

        Do exposto, verificamos a cuidadosa escolha das palavras pelo espírito comunicante, esforçando-se em nos mostrar o sofrimento atroz sentido pela pessoa que se mata, no caso, com um tiro na cabeça. Naturalmente que, em cada suicídio, o tipo de sofrimento varia de acordo com a noção que se tem sobre a vida física e conforme a forma buscada de destruição do corpo. Mas como esse ato lesa também o perispírito, nosso corpo espiritual, a lesão voluntária no corpo físico, programado para uma existência mais duradoura, afeta também o corpo espiritual.

        A misericórdia divina considera as circunstâncias agravantes e atenuantes em cada caso. Suicídios advindos de insanidade mental, motivados por desespero ante situação de intenso sofrimento físico, moral ou psicológico ou em risco iminente de morte, são logo socorridos pelos bons espíritos, encarregados por Deus de nos protegerem.

        Suicídios planejados meramente por fraqueza ou revolta ante as provas e expiações da existência física são injustificáveis e, portanto, levarão seu autor a sofrer com severidade as consequências de seu ato rebelde à justiça divina.

        Há também casos em que o suicida é induzido ao ato por entidades vingativas, chamadas obsessores, mas ainda aqui é preciso que o obsidiado busque socorro na prece e nos serviços de amparo espiritual dum centro espírita, aliado ao tratamento psiquiátrico. Tais pessoas precisam sobrepor sua vontade à vontade do obsessor. Nunca é demais nos lembrar destas palavras de Jesus: "Vigiai e orai, para não cairdes em tentação [...]" (Mateus, 26:41). Renovação mental e atos de caridade e humildade em todos os dias de nossa vida são remédios insuperáveis...

        O suicida jamais foge, em todos os casos, é da decepção de se ver vivo e perceber que sua atitude intempestiva agravou muito mais seus sofrimentos, pois agora não mais possui a liberdade que tinha quando estava no corpo físico. É isso que os espíritos procuram mostrar-nos e alertar para que não cometamos o disparate do suicídio.   Paz e luz!

 

 

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