Vida... eterna vida...

27/05/2020 19:54

            Neste tempo de Covid-19, proponho aos queridos leitores mais uma reflexão sobre a vida. Algumas pessoas receiam falar ou ler qualquer coisa sobre o assunto. Isso demonstra, no mínimo, incerteza sobre aquilo que nos aguarda, ao final desta nova romagem pela Terra.

            Nova, sim, pois somos eternos e reencarnaremos aqui ainda por muitas vezes. Isso se não formos promovidos a um globo melhor, com todo o otimismo que essa promoção nos encanta. Haja vista que os leitores já estão, mais do que nunca, aproveitando cada minuto de sua presente existência no recesso do lar.

            No prefácio da obra Reencontro com a Vida, psicografada por Divaldo Franco, logo em sua primeira frase, o nobre Espírito Philomeno de Miranda diz algo que muita gente se recusa a ouvir e ler: "A todo instante a morte ceifa multidões, que viajam na direção do Mais-além desequipadas, espiritualmente, para o grande encontro com a consciência". Isso, a nosso ver, é brutal incoerência de todos os que assim se encontram, pois se, contrariamente aos animais, temos plena noção de nosso limite existencial, deveríamos questionar o porquê da vida, que, aliás, Léon Denis explica muito bem em seu livro que tem exatamente esse título.

            Em sua sabedoria, Allan Kardec propõe uma questão, respondida por um dos emissários divinos sobre o que todos deveríamos refletir: "941. Para muitas pessoas, o temor da morte é uma causa de perplexidade. De onde lhes vêm esse temor, já que têm diante de si o futuro?"

            Eis a sábia resposta que recebeu:

Não há  fundamento para semelhante temor. Mas que queres! Desde a infância procuram convencê-las de que há um inferno e um paraíso e que mais certo é irem para o inferno, visto que também lhes disseram que o que está na Natureza constitui pecado mortal para a alma. Assim, quando essas pessoas se tornam adultas, se tiverem um pouco de discernimento, não poderão admitir tais coisas e se tornam ateias ou materialistas. É dessa maneira que são levadas a crer que nada mais existe além da vida presente. Quanto aos que persistiram em suas crenças da infância, esses temem o fogo eterno que os queimará sem os consumir.

        Agora vem a parte final da resposta, para a qual chamo a atenção do leitor. Ela faz-nos refletir sobre a importância de  esforçar-nos em ser melhores a cada dia, exercitando, nesse tempo do corona vírus, a fé, a paciência, a humildade e o amor. Em especial com os familiares que se encontram confinados conosco:

A morte não inspira ao justo nenhum temor, porque, com a fé, ele tem a certeza do futuro; a esperança o faz esperar por uma vida melhor. E a caridade, a cuja lei obedece, lhe dá a segurança de que não encontrará, no mundo em que terá de ir, nenhum ser cujo olhar ele deva temer.

          O comentário de Kardec a essa questão, ainda que estenda, um pouco mais, nossas considerações, é de grande profundidade. Sábio é quem o aproveita e substitui suas aspirações às satisfações do corpo pelas da alma. E, desse modo, se exercita, diariamente, para ingressar na vida real, eterna, que antecede à existência física:

O homem carnal, mais preso à vida corpórea do que à vida espiritual, tem, na Terra, penas e gozos materiais. Sua felicidade consiste na satisfação fugaz de todos os seus desejos. Sua alma, constantemente preocupada e angustiada pelas vicissitudes da vida, mantém-se num estado de ansiedade e de tortura perpétuas. A morte o assusta, porque ele duvida do futuro e porque tem de deixar no mundo todas as suas afeições e esperanças.

O homem moral, que se colocou acima das necessidades artificiais criadas pelas paixões experimenta, já neste mundo, prazeres que o homem material desconhece. A moderação dos desejos dá ao seu Espírito calma e serenidade. Feliz pelo bem que faz, não há decepções para ele e as contrariedades deslizam sobre sua alma sem lhe deixarem impressão dolorosa (KARDEC, Allan, op. cit., q. 941).

              Não existe morte, a não ser a do corpo físico. O que há é vida... eterna vida. Criação de Deus, destinada à felicidade de todos nós, seus filhos rebeldes que, um dia, sendo um com o Cristo, serão um com Ele.

 

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