Vivendo e Aprendendo

13/03/2019 09:30

            Há anos, tive a intuição desta frase: viver é aprender. Tempo depois, ao me questionar sobre o sentido da vida e lembrar as palavras de Jesus: “Brilhe a sua luz.”, percebi que, figuradamente, o Mestre quis dizer que somos centelhas divinas criadas para, como as estrelas, fulgurarmos nos espaços, sejam da Terra, sejam dos Céus.

            Tal iluminação, porém, deverá ser tanto mais intensa quanto mais perfeitos formos, haja vista a nova orientação do Cristo: “Seja perfeito, como perfeito é Nosso Pai”. Meu entendimento ficou melhor ainda. Percebi, então, que se a Luz Divina abrange todo o Universo, e nada lhe passa despercebido, necessitamos evoluir infinitamente, pois Deus está no Infinito.

            Nessa ascensão infinita, nossa alma, criada como pequena centelha, se expandirá, em foco de luz, eternidade afora. Primeiramente, faísca iluminando nossos próprios pés; em seguida, tocha a clarear os passos dos familiares; mais além, lanterna potente dos caminhos comunitários; depois, poste de luz das residências e comércios povoados; mais tarde ainda, luz feérica e ubíqua dos shoppings, mansões e clubes duma cidade; enfim, claridade duma nação inteira, até espargirmos, como Espíritos puros, nossa luz por todo o globo, quando então passaremos a esses mundos purificados, reiniciando, felizes, nosso desiderato de expansão iluminativa em direção à Luz Maior.

            Ainda assim, restava um “como”. Como fazer para que nossa pequena faísca cresça e se avolume em direção aos páramos evolutivos? Foi então que nos veio nova intuição: Jesus nos ensinou que o mandamento maior é o amor; mas quando ampliou, por seus exemplos, a noção de amor como caridade, teve o objetivo de nos demonstrar que amar é sentir e também agir. É também nossa ação em direção ao próximo e a tudo que existe. Daí surgir esta palavra maravilhosa, com o mesmo significado em latim e inglês: serve; em romeno: servi; em italiano: servire; em espanhol, francês, galego e português: servir.

            Servir é vocábulo formado das sílabas: ser e vir. Se trocarmos a posição delas, obteremos vir e ser. Desse modo, disse-me meu cérebro, que nada mais é do que o computador divino pelo qual se manifesta o Espírito: Se você quiser vir a ser iluminado, é preciso servir; servir para vir a ser. Somente então, sua vida terá sentido.

Nisso, alguém me sussurrou: — Não confunda, porém, servil, cujo significado é servo ou escravo do próximo, palavra próxima de servir, com ser vil: ser reles, ordinário, mesquinho, miserável, desprezível, infame...

            Foi então que percebi que meu cérebro estava conectado com o Machado [de Assis]. Em seguida, o Bruxo recomendou-me: — Sendo vil, ainda que os que se lhe assemelhem o aplaudam, você nada será; servindo é que você virá a ser. Veja, por exemplo, o que ocorreu com aquele ministro que afirmou que não era ministro e sim, que estava ministro. Foi logo demitido, pois o presidente queria alguém que fosse e não que estivesse naquela pasta: a da Educação. Até na classe gramatical de verbo é importante ser, amigo Jó. Quando se está, não se é...

            Porém, se esse vocábulo é substantivo, somos, em parte, imagem e semelhança de Deus, o Ser Supremo do Universo e seus serezinhos: eu e você. A essência divina está em cada um de nós,  filhos de Deus, como nos afirmou nosso irmão maior: Jesus Cristo, o ser mais puro que Nosso Pai nos deu para nos servir de guia e modelo. Então, meu caro, é preciso servir para vir a ser. Adeus!

            — Adeus, meu senhor! obrigado pela prestimosa aula. E, assim, despedimo-nos.

            Tudo isso porque eu pensara em escrever sobre o vídeo enviado pelo Dr. Plotino com excelente palestra de médica geriatra que nos recomenda, em cerca de uma hora, entre outras coisas, as seguintes atitudes para um envelhecimento saudável: cantar, sorrir, amar, persistir, ter autonomia e independência em tudo o que fizer, servir e... aprender sempre, pois, como eu disse no início: viver é aprender.

            Fica para a próxima crônica. Quiçá...

 

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