VUB & MIC

17/07/2019 09:31

            Conta-se que, certa vez, um amigo procurou Sócrates e lhe perguntou:

— Quer que lhe conte a última notícia que ouvi hoje?

— Só depois de você me garantir que a submeteu aos três crivos.

— Três crivos? Que é isso?

— Para que você me conte o caso, este tem que passar por três critérios.

— E quais são eles?

— Primeiro, o da veracidade: é verdade o que você ouviu?

— Bem, isso eu não posso garantir, mas quem me contou foi um  amigo...

— Certo, vamos ao segundo crivo, o da utilidade: é útil o que ele lhe disse?

— Pensando bem, não me parece ter utilidade...

— Vamos, então, ao último crivo, o da bondade: é bom, o que você quer dizer?

— De jeito nenhum...

— Bem, meu caro, se você não pode garantir que o caso contado por seu amigo não é verdadeiro, não é útil e não é bom, prefiro ignorá-lo.

            Em nossos dias, no Brasil, tantos são os fakes, políticos ou não, venham da esquerda, do centro, da direita, de baixo ou de cima, que proponho aos meus quarenta honestos seguidores observarmos com rigor os três crivos socráticos, cuja sigla é VUB. Certamente viveremos bem melhor assim.

         Isso não significa alienação nossa aos eventos políticos que interessam ao futuro do Brasil. Precisamos, sim, estar bem informados, pois, como dizia Aristóteles, “o homem é um animal político”. No entanto, como dizem os mineiros, “prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém”.

         Há muita gente por aí que faz parte da MIC. Quer saber o que é, amiga leitora? No final desta crônica, lhe digo...

         Ontem, conversei com minha esposa sobre um político considerado corrupto, que está preso. Não foi uma ideia feliz de minha parte, mas a intenção foi boa. Disse-lhe que não creio nesses vídeos acusatórios que são divulgados no Facebook ou no WhatsApp. Como também não acredito na inocência dele. Principalmente, não repasso esses vídeos cujos autores recomendam compartilhar com o maior número possível de pessoas... Aí tem...

Ainda assim, nunca é demais lembrar a recomendação feita a Allan Kardec, em resposta à sua questão 903 d’O Livro dos Espíritos, quando o Codificador do Espiritismo perguntou se é lícito estudar os defeitos alheios.  

Foi-lhe respondido que criticar e divulgar os atos negativos de alguém é falta de caridade, e quem faz isso incorre em grande falta;  a não ser que o estudo seja feito por quem deseje evitar os erros observados. Tudo está, pois, na intenção...

Por desconhecimento da Lei de Liberdade, entretanto, há ainda muita gente que faz parte da turma do MIC. Não se trata aqui da sigla homônima do Ministério da Indústria e Comércio. Falamos dos adeptos inconsequentes da mentira, da ignorância e da crueldade.

            Na questão 828-a, d’O Livro dos Espíritos, Kardec é informado de que

 

Quanto mais inteligência tem o homem para compreender um princípio, tanto menos desculpável será de não o aplicar a si mesmo. Em verdade vos digo que o homem simples, porém sincero, está mais adiantado no caminho de Deus do que outro que pretenda parecer o que não é (op. cit.).

 

            Quem ainda transita pelo reino das trevas se atola na MIC: mentira, ignorância e crueldade. Morrerá na mentira e entrará nas dores do choro e do ranger de dentes.

            Quem prossegue no rumo do Reino de Deus, da alegria e da luz aprende e pratica a máxima cristã de jamais fazer a outrem o que não deseja que este lhe faça. Atenta, então, para a recomendação de Sócrates e observa a VUB: verdade, utilidade e bondade, antes de julgar os atos alheios.

 

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