Filosofia da Arte Indígena: uma análise crítica do Festival Folclórico de Parintins/AM sob a ótica da Indústria Cultural

25/02/2019 20:14

O TEXTO A SEGUIR É UM RESUMO DO TRABALHO QUE SERÁ APRENSENTADO EM FORMA DE COMUNICAÇÃO ORAL NO 3º CONGRESSO INTERNACIONAL DOS POVOS INDÍGENAS DA AMÉRICA LATINA, NO MÊS DE JULHO, EM BRASÍLIA-DF

por Alexsandro M. Medeiros,

alexsandrommedeiros@gmail.com

 

RESUMO

            Parintins é uma cidade do Estado do Amazonas conhecida nacional e internacionalmente por causa do Festival Folclórico de Parintins. O crescimento do Festival Folclórico foi significativo ao longo de 100 anos e hoje se consolida cada vez mais como uma festa de massas no que Rodrigues (2006) chama de produto cultural, com o aumento do turismo, do setor hoteleiro e do comércio da cidade, com a inserção de grandes multinacionais patrocinadoras da festa, ampla divulgação e cobertura da mídia. Hoje o evento possui dimensões gigantescas “[...] creditando visibilidade à cidade de Parintins, e mais do que isso, atraindo investimentos e recursos para a continuidade do festival, além de fomentar a economia local” (MONTEIRO, et al., 2018, p. 8).

            É sob a perspectiva de um produto cultural de massas que se pretende analisar essa festa grandiosa: uma manifestação cultural que tem hoje aspectos da cultura de massa, que transforma o espetáculo em produto mercadológico. Essas mudanças ocorrem de diversas maneiras como: na composição das toadas e na utilização de equipamentos eletrônicos (MONTEIRO, et al., 2018); nas relações do mundo do trabalho (SILVA, 2015; CATALÃO; NOGUEIRA, 2013); no surgimento de um turismo de massa (PIRES, 2014).

            Todavia, diante da impossibilidade de analisar em detalhes cada uma destas transformações ocasionadas pelo crescimento do Festival enquanto produção mercadológica, vamos concentrar nossa análise na ideia de um produto cultural como reflexo da indústria cultural. Em outras palavras, como a ideia de uma indústria cultural, tal como pensada pelos teóricos Adorno e Horkheimer, se aplica perfeitamente ao Festival de Parintins nos moldes em que ele se realiza hoje, através da relação que se estabelece entre o mercado e o Festival, transformando a festa em um produto mercadológico. Horkheimer e Adorno (1985) elaboraram o conceito de indústria cultural identificando a exploração comercial e a vulgarização da cultura por parte de empresas e instituições interessadas na produção em massa de bens culturais para fins mercadológicos: “a proposta do sistema é de que a humanidade inteira se torne cliente ou empregado da indústria” (LOSSO, 2005, p. 163).

            Conclui-se esta análise, que adota como metodologia a pesquisa bibliográfica, com um discurso crítico sobre a crescente e aparentemente inevitável mercantilização do domínio da cultura, onde se localiza o Festival Folclórico de Parintins, onde empresas nacionais e multinacionais fabricam produtos cuja finalidade é o seu valor de mercado, que possa ser consumido e transformado em capital. A cultura é objetificada, feita em série, industrialmente, para as massas. A indústria cultural se apropria de elementos da cultura e, através de um processo de sedução e convencimento, vende-a ao público como mercadoria.

 

O TEXTO COMPLETO DO TRABALHO ESTARÁ DISPONÍVEL APÓS A PUBLICAÇÃO DOS ANAIS DO EVENTO

 

 

Referências Bibliográficas

 

CATALÃO, Laranna Prestes; NOGUEIRA, Amélia Regina B. O mundo do trabalho no Festival Folclórico de Parintins/AM: primeiras aproximações teóricas. Anais da VI Jornada Internacional de Políticas Públicas. Centro Universitário da UFMA. São Luís-MA, 20 a 23 de agosto de 2013.

HORKHEIMER, M.; ADORNO, T. A Indústria Cultural: O esclarecimento como mistificação das massas. In: ____. Dialétíca do esclarecimento. Rio de Janeiro, Zahar, 1985.

LOSSO, Eduardo Guerreiro Brito. Resenha de Teoria Crítica e Indústria Cultural de Rodrigo Duarte. Alea – Estudos Neolatinos, vol. 7, n. 1, p. 161-166, jan./jun., 2005.  Acesso em 26/10/2018.

MONTEIRO, Lucely Cursino, [et al.]. Análise Folkmidiática do Festival Folclórico de Parintins. Anais da XIX Conferência Brasileira de Folkcomunicação. Universidade Federal do Amazonas – UFAM. Parintins (AM),  25 a 27 de junho de 2018.

PIRES, Vilsélia Souza. Festival Folclórico de Parintins: Turismo e os impactos espaciais no ambiente urbano. Somanlu, ano 14, n. 1, p. 98-112, jan./jun. 2014. Acesso em 18/10/2018.

RODRIGUES, Allan Siljenítsin Barreto. Boi-Bumbá: Evolução – Livro-reportagem sobre o Festival Folclórico de Parintins. Manaus: Valer, 2006.

SILVA, Elizandra Garcia da. O modo de produção capitalista e o brincar de boi-bumbá Caprichoso e Garantido. Tese (Doutorado em Educação). Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade Federal do Amazonas, Manaus, 2015.

 

 

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