A polarização e desinformação política

A polarização e desinformação política

por Luiz Henrique Pereira Alves

postado em ago. 2019

  Com o atual cenário político, está cada vez mais claro que o nosso país se encontra em um estado de polarização, com indivíduos entrando mais ao extremo do que ao centro. Como consequência desse fato, os movimentos intolerantes estão ganhando cada vez mais força, independente do aspecto político em que estão inseridos. Mas por que o ser humano atua de tal forma?

  É nítido que existem alguns indivíduos que crêem no sistema de “correção na base da opressão”, onde o indivíduo praticante cria uma relação de medo com o indivíduo receptor, privando o receptor de realizar o que deseja devido à autoridade do praticante. Mesmo esse sistema mostrando ser eficiente durante certo período, o mesmo pode ser considerado antidemocrático e ineficiente ao longo prazo.

  Quando houve a Greve dos Policiais Militares no estado do Espírito Santo, ficou exposto de forma clara que, quando essa relação de medo é enfraquecida, o indivíduo receptor se sente mais livre para fazer o que deseja. Poderia ser uma solução para esse sistema nunca enfraquecer a autoridade, porém, com o passar do tempo, alguns indivíduos receptores podem se rebelar e combater a autoridade. O praticante analisa essa situação e pensa que a melhor solução é aumentar a relação de medo, aumentando assim sua autoridade. Porém, aumentar a relação de medo pode gerar atos antidemocráticos, como por exemplo, perseguição e agressão.

 Infelizmente, há uma banalização da política brasileira, com os indivíduos sociais membros da mesma se limitando na repetição de argumentos prontos oriundos das redes sociais, criando uma massa de manobra intolerante, sem a capacidade de refletir e criar um argumento autônomo sobre determinado assunto, agregando ao argumento pronto valores individuais, impondo a sua cultura aos outros membros sociais, como se a mesma fosse tida como verdade absoluta.

Todos esses fatores estão associados à crescente “participação política” atual, graças ao advento das redes sociais, que, como já foi citado, está ocorrendo sem o fator principal da participação política, a capacidade de reflexão e criação de um argumento plausível. Ou seja, pode-se afirmar que o que está acontecendo no Brasil não é uma crescente participação política, mas sim uma criação de uma nova massa de manobra sem a devida capacidade de se informar e se posicionar de forma autônoma.

 Um exemplo claro sobre essa problemática é o Tweet do atual presidente da França, Emmanuel Macron, onde afirma que a Amazônia é responsável por 20% da produção de oxigênio do mundo. Tal afirmação foi repetida por vários internautas nas redes sociais que, é biologicamente impossível, pelo simples fato da Amazônia ser um ecossistema clímax, onde consome quase todo oxigênio que produz, alem do fato de todas as florestas e bosques do mundo serem responsáveis pela produção de 24,9% de todo o oxigênio do mundo. Adotar esse argumento como verdadeiro significa adotar que o restante das florestas do mundo são responsáveis por apenas 4,9% da produção de oxigênio mundial, o que é biologicamente impossível.

 Quando tal argumento é repetido, há uma expansão da desinformação política, agravando ainda mais as massas de manobra.

 Os indivíduos sociais deveriam se informar sobre os assuntos em pauta na sociedade contemporânea antes de espalhar argumentos facilmente refutados de forma lógica, evitando a polarização desinformada e agregando o debate democrático na sociedade atual.

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