BlockChain e a tecnologia para reduzir fraudes com dinheiro público

Blockchain (ou registros distribuídos) é uma tecnologia ainda pouco conhecida, e que pode transformar os negócios do futuro.

Para entender o que é um Blockchain, vamos tomar como exemplo o Bitcoin: um tipo de moeda virtual criptografada e descentralizada, cujo valor se mede por transações diretas e livres de intermediários, e é determinada por um algoritmo de código aberto e autorregulável.

Em linhas gerais funciona da seguinte maneira: os mineradores de Bitcoin (computadores que oferecem seu poder de processamento de cálculos para “fabricar” a moeda virtual), atuam interconectados, ao redor de todo o planeta, “anotando” cada transação feita em tempo real com o Bitcoin.

Pois bem, o Blockchain é uma tecnologia que pode ser entendida como uma espécie de livro de registros que contabiliza cada uma das transações feitas em todo o mundo com moedas virtuais, como o Bitcoin.

A cada 10 minutos de transações dos mineradores de Bitcoin, fecha-se uma página desse livro de registros colaborativo (um bloco) contendo todas as transações feitas nos 10 minutos anteriores em qualquer lugar da internet. Esse bloco é conectado a todos os outros blocos feitos anteriormente - uma corrente de blocos, ou um “blockchain” - de modo que um só pode ser acessado se estiver devidamente ligado aos outros.

O blockchain foi criado para registrar, verificar e validar operações online. Essa “cadeia de blocos” pode ser encarada como uma espécie de “livro de contabilidade” virtual em que cada operação digital fica gravada. Quando uma movimentação é realizada como, por exemplo, uma transferência de Bitcoins, aquela operação é colocada em conjunto com outras feitas naquele mesmo momento, criando assim um bloco de operações. Esses blocos são então apresentados a diversos nós. Esse nós são computadores conectados à rede com a tarefa única de aprovar, validas e repassar transações. Desta forma, o registro é validado de forma inalterável e transparente.

O Blockchain é a tecnologia que torna possível as transações de Bitcoin, ou a de qualquer outra moeda virtual. Pouco a pouco esse sistema de autorregulação começa a ser usado por outros tipos de transações criptografadas virtuais que vão além dos Bitcoins, como redes de cartórios, por exemplo, que precisam validar a segurança de informações instantaneamente.

Com quase 10 anos desde sua criação, já bastante maduro, o Blockchain apresenta agora potencial para assumir aplicações além das relacionadas às moedas virtuais. No Brasil, diversas indústrias já estão engajadas com a tecnologia - algumas mais ativas que outras. Mas os bancos, fintechs, saúde, a indústria agro, de energia e até o varejo estudam aplicações do conceito blockchain em suas operações.

O uso dessa tecnologia foi tema de debate em 2017 na Câmara dos Deputados do Congresso Nacional, conforme informações da Agência Câmara de Notícias abaixo.

 

Especialistas defendem uso da tecnologia BlockChain para reduzir fraudes com dinheiro público

Além de favorecer mais transparência às contas do governo, o BlockChain foi defendido como alternativa para integrar as bases de dados dos órgãos públicos.

Banco de dados
O BlockChain tem sido visto como uma possibilidade de facilitar a fiscalização das contas do governo. Trata-se de banco de dados com regras preestabelecidas que pode ser consultado por várias pessoas por meio da Internet. O controle não é centralizado, e caso alguém tente fazer algo fora do padrão das regras, outras pessoas conectadas à rede podem rastrear essa ação, como explica o representante da Fundação Etherium, que trabalha com o BlockChain, Alex Van Sande.

"A sua vida inteira está em algum banco de dados, só que eles pertencem a empresas que podem alterar esse banco de dados a qualquer hora. Um BlockChain pega esse banco de dados e em vez de cada empresa ter o seu próprio banco de dados, você distribui isso de uma forma onde você tem dezenas de milhares de pessoas comuns que têm uma cópia dos bancos de dados e uma cópia das regras que diz como isso pode acontecer".

Desta forma, o próprio computador automaticamente permite o controle do cumprimento das regras. Segundo ele, uma tecnologia do tipo BlockChain pode tornar a corrupção, o desvio de verbas e a evasão de impostos obsoletos.

Dinheiro público
Segundo Van Sande, com essa tecnologia você define as regras de como um dinheiro pode ser gasto, define quem pode tomar decisões sobre ele e uma vez que isso está na rede, uma vez que isso está online, é matematicamente impossível você desviar um centavo, sequer, fora daquelas regras que foram definidas pelo software. “Cinquenta por cento desse dinheiro vai para tal causa, trinta por cento vai para tal causa, vinte por cento vai ser administrado de tal forma, se você coloca isso num software, é matematicamente impossível que esse dinheiro seja desviado de outra forma", disse Van Sande.

 

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