Estudos Clássicos, Humanísticos e Amazonidades, vol. 2

Estudos Clássicos, Humanísticos e Amazonidades, vol. 2

Prefácio

Sobre convergências entre letras clássicas e interdisciplinaridades

Eis aqui a segunda organização do livro Estudos Clássicos e Humanísticos & Amazonidades, o terceiro e mais robusto resultado oriundo da II Jornada de Estudos Clássicos e Humanísticos de Parintins, um encontro acadêmico com ampla persistência interdisciplinar. Trata-se de uma seleta de textos científicos escritos por palestrantes, membros da comissão científica, participantes da programação e organizadores do evento.

O livro é também um consórcio entre nós, professores Weberson Grizoste (doutor, docente/UEA) e Renan Albuquerque (pós-doutor, docente/Ufam), empenhados na interdisciplinaridade e no diálogo entre as duas maiores instituições de Ensino Superior do Amazonas presentes em Parintins, interior do Estado do Amazonas. Esta segunda organização consolida uma parceria que mostrou êxito na primeira edição, quando lançamos nos formatos e-book e im­presso nosso trabalho de então.

A parte inicial do livro está contida de sistematicamente temas dos Estudos Clássicos e da Recepção dos Clássicos na Posteridade. Buscou-se, por­quanto, acompanhar uma linearidade de acordo com os temas dos proponentes e verificou-se uma parte política e outra literária.

O primeiro texto, Retórica Clássica: Definições e Percurso, do Mestre Fran­cisco Lima (Ufam), inicia-se nas origens da retórica aristotélica até chegar na Roma de Quintiliano. Segue-se o ensaio sobre os moldes da política e da demo­cracia grega a partir de A constituição dos Atenienses de Pseudo-Xenofonte e os seus reflexos na modernidade, de autoria da Doutora Priscilla Leite e Lívia Silva. A política também é o tema do terceiro ensaio. Nesta feita, o doutorando Alexsan­dro Medeiros traça as relações entre política, ética e felicidade a partir da visão teleológica de Aristóteles. O texto a seguir trata do mito como tradução cultural e foi escrito pela Doutora Thais Flores Nogueira Diniz e por Patricia Christina dos Reis.

O ensaio do Doutor Pedro Martins abre uma sessão de crítica literária propriamente dita – numa primeira parte os clássicos greco-romanos, e numasegunda parte a Estética da Recepção. Aqui o autor analisa a Hybris em Os Persas de Ésquilo. Abordando ainda a tragédia grega um outro ensaio dissertará sobre a questão do Pharmakós e o estenderá até Sêneca, em Roma. Nos ensaios a seguir chegamos ao Arcadismo brasileiro, dois textos que têm por base A Muhuraida investigam influências clássicas, nomeadamente de Virgílio, em Wilkens. O pe­núltimo texto dessa sessão faz um caminho épico, surge de Roma, passa pela Inglaterra e chega ao Brasil, no período do Romantismo, e investe sobre as in­fluências de Plauto em Shakespeare e daí em Gonçalves Dias.

Na sequência, o mestrando Isaías Santos e o professor Renan Albu­querque fazem destaque acerca do princípio da obediência na clássica obra Enei­da, em correlação a questões espirituais contidas nas escrituras da bíblia cristã. São destacadas proposituras implicadas a partir desse importante livro da anti­guidade e das histórias de vida de personagens testamentários que enfrentaram agruras em suas existências. O artigo teve por embasamento teórico a herme­nêutica das letras grego-latinas e a exegese bíblica, posto que entendeu-se Eneida não somente mediante seus pressupostos de fundação de Roma, mas também das tragédias que um homem teve que enfrentar quando está predestinado pelos deuses.

No artigo Uma leitura comparativa..., da Doutora Francisca de Lourdes Louro, é indicada a problemática de autores redentores da literatura, que traba­lham questões sociais e dão a leitores em geral a visão do universo em que vivem pessoas abonadas ou não. A autora sugere uma importante questão, apontada na ideia de que, por mais trabalho e esforço que se faça em relação a algo, o re­sultado é sempre a penosa atitude diante da inevitabilidade da vida.O entremeio da proposta no paper aparece no comparativo entre as obras estudadas pela via literária.

Arcângelo Ferreira e Suely Galúcio descrevem em seu capítulo o re­sultado parcial de um subprojeto desenvolvido a partir do projeto inscrito no Programa de Apoio à Iniciação Científica (PAIC) do curso de História da Univer­sidade do Estado do Amazonas do Centro de Estudos Superiores de Parintins, denominado Fontes para uma nova História de Parintins-AM (1890-1954). A expe­riência é rica e nos mostra o quanto textos documentais podem ser base para pesquisas de porte.

O texto seguinte, que analisa o livro Tykuã e a origem da Anunciação, do indígena Elias Yaguakãg, foi escrito por Renan Albuquerque, Iza Reis Gomes Ortiz, Eliane Auxiliadora Pereira e Elizabeth Siel. O quarteto autoral almejou inferir sobre a cosmologia indígena em busca de interpretações sobre a história e cultura do povo Maraguá. Via o teórico Vladimir Propp, pretendeu-se apresentar como a narrativa ameríndia foi construída pelo olhar da linguagem literária.

Em suma, cabe destacar que tais escritos estão diretamente relacio­nados com a interdisciplinaridade proposta na II Jornada. No livro, fruto dos debates, apostamos que o bom relacionamento científico entre as áreas de Letras e Comunicação Social, com aportes da História e das Ciências Sociais, seja pro­vidente e gere novas perspectivas de pesquisa. Com isso, e por fim, enfatizamos nosso compromisso com a publicação científica deste segundo volume, sobre­tudo em tempos difíceis os quais vivemos no contexto do amparo à pesquisa no Brasil.

Boa sorte e boa leitura.

Weberson Grizoste e Renan Albuquerque

Março de 2018

 

Sumário

PREFÁCIO

SOBRE CONVERGÊNCIAS ENTRE LETRAS CLÁSSICAS E

INTERDISCIPLINARIDADES

Weberson Grizoste e Renan Albuquerque

- 7 -

ESTUDOS CLÁSSICOS E HUMANÍSTICOS

- 13 –

RETÓRICA CLÁSSICA: DEFINIÇÕES E PERCURSO

Francisco de Assis Costa de Lima

- 15 –

PARTICIPAÇÃO POLÍTICA E DEMOCRACIA: A VISÃO DO POVO EM A CONSTITUIÇÃO DOS ATENIENSES E ALGUMAS REFLEXÕES PARA O PRESENTE

Priscilla Gontijo Leite, Lívia Maria da Silva

- 35 –

A RELAÇÃO ENTRE POLÍTICA, ÉTICA E FELICIDADE, DE ACORDO COM A VISÃO TELEOLÓGICA DE ARISTÓTELES

Alexsandro Melo Medeiros

- 53 –

MYTH AS CULTURAL TRANSLATION

Thaïs Flores Nogueira Diniz, Patricia Christina dos Reis

- 65 –

DÁRIO E A UNIVERSALIZAÇÃO DO CONCEITO DE HYBRIS EM OS PERSAS DE ÉSQUILO. UNIVERSAL PARA QUEM?

Pedro Martins

- 73 –

O PHARMAKÓS: A QUESTÃO DO SACRIFÍCIO VOLUNTÁRIO NA MEDÉIA DE EURÍPEDES E DE SÊNECA

Ruth Serrão da Silva, Weberson Fernandes Grizoste

- 85 –

OS PRINCÍPIOS DA MUHURAIDA

Weberson Fernandes Grizoste

- 95 –

ESTUDOS SOBRE A MUHURAIDA E SUAS RAÍZES CLÁSSICAS

Maria de Nazaré Carvalho da Silva

- 117 –

UM OLHAR RECEPTIVO NA DRAMATURGIA SOBRE A ALIENAÇÃO E A PERDA DA RAZÃO: PLAUTO, SHAKESPEARE E GONÇALVES DIAS

Nívia Maria Messias Ribeiro

- 139 –

COMPARAÇÕES HERMENÊUTICAS SOBRE O PRINCÍPIO DA OBE­DIÊNCIA EM ENEIAS, ABRAÃO E JÓ

Isaías dos Santos, Renan Albuquerque

- 151 –

AMAZONIDADES

- 167 –

COSMOLOGIA E ESTRUTURA NARRATIVA EM TYKUÃ E A ORIGEM DA ANUNCIAÇÃO, DO ESCRITOR INDÍGENA ELIAS YAGUAKÃG

Renan Albuquerque, Iza Reis Gomes Ortiz Correio, Eliane Auxiliadora Pereira Correio, Elizabeth Siel Souza Correio

- 169 -

UMA LEITURA COMPARATIVA DOS ROMANCES A SELVA, DE FERREI­RA DE CASTRO E O HÓSPEDE DE JOB, DE JOSÉ CARDOSO PIRES

Francisca de Lourdes Souza Louro

- 191 –

“DOUTOR MARCOS SE VOCE É PROMOTOR É ATÉ HOJE, SEU JUDEU SEM VERGONHA”: NARRATIVA DE UM CRIME, OCORRIDO NA CIDADE DE PARINTINS EM 1938

Suely Mascarenhas Galúcio, Arcângelo da Silva Ferreira

- 207 -

 

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