O paradoxo socrático

O paradoxo socrático

por Fernando Rosemberg Patrocínio

postado em jan. 2018

Muito já se falou, ainda se fala, e, se falará, de um dos mais importantes filósofos da antiguidade: Sócrates, que, no dizer do mais famoso médium psicógrafo do Século 20: Francisco C. Xavier:

 

“Sócrates encarnara um dos mais importantes discípulos do Cristo”. (fcx).

 

Para o ateu, e mesmo para alguns crentes de saberes limitadíssimos das coisas espirituais, isto seria uma heresia, pois que, afinal, Sócrates vivera antes do Cristo, e como, portanto, ele fora discípulo do Cristo?

 

Ora, o Espiritismo, como Doutrina dos Espíritos Superiores, nos dá uma nova e mais ampla visão das coisas do Mundo e, portanto, das coisas Metafísicas, ou seja: Espirituais. Para tal Doutrina, todos os homens são Espíritos palingenésicos, viajores do tempo e do espaço, e, portanto, antes de estarmos aqui, no Mundo terreno, nós estávamos lá: no Mundo Espiritual, e, assim, sucessivamente, o que implica dizer que nós, os Espíritos humanos, mudamos de roupagem o tempo todo, e, pois, hoje eu sou o Fernando, e Você Leitor, É quem você É, e, amanhã, desenfaixados das vestes físicas e biológicas, Eu não serei mais o Fernando, e Você Leitor, não será mais Você, pois que, afinal, o Espírito que há em mim, e, em Você, vai progredindo, evoluindo, e vai mudando, via palingenésica, seus Nomes, seus corpos espirituais e seus corpos materiais, numa mudança para melhor, mais alta, e, mais nobre, espiritualmente falando, até alcançarmos os cumes da Vida Maior na condição de Espírito Puro, livre das gangas materiais.

 

E, pois, retornando a Sócrates, e, ao dizer que Ele fora um dos maiores discípulos do Cristo, isto é a mais pura realidade, pois que, antes de estar por aqui, no Mundo terreno, o Espírito de Sócrates estava lá: no Mundo Espiritual, e, pois, desde priscas eras, Jesus é o Diretor Espiritual do Mundo terreno, e, pois, nossos conhecimentos de tal Mundo derivam do Mundo Espiritual que nos cerca, e, tudo, continuamente, vai mudando e incorporando saberes de tais Mundos: do físico e do Espiritual que, por sua vez, dirige o Mundo Material.

 

Ora, se consultarmos, por exemplo, a questão 459 de “O Livro dos Espíritos” (AK – 1857), ver-se-á que a influência do Mundo Espiritual sobre o Mundo Material é tão grande que, mui frequentemente, são eles, os Espíritos, que nos dirigem.

 

Logo: o Espiritismo promove toda uma revolução em nosso saber, mudando a concepção humana para melhor, dilatando-se-lhe as perspectivas, pois que o Mundo Espiritual dirige o Mundo Material conforme os fins daquele, conduzindo-o para melhor, por que a Terra já fora um Mundo Primitivo que se alçara ao de Expiações e de Provas e que, presentemente, se alça para um Mundo Melhor: o de Regeneração.

 

E, pois, de retorno a Sócrates, e, segundo “O Evangelho Segundo o Espiritismo” (AK - 1864), dito pensador, (Sócrates), é tido como um precursor tanto do Cristianismo como do Espiritismo, que, afinal, este último nada mais que a sua mais legítima expansão, constituindo, presentemente, o Cristianismo Redivivo.

 

Logo, as ideias de Sócrates, descritas pelo discípulo Platão, tem tudo a ver com as ideias do Cristo, e, pois, com as ideias do Espiritismo.

 

Porém, o tema é vastíssimo, conquanto, o básico e o fundamental da temática, ou seja, de suas ideias, sejam as mesmas indubitavelmente, o que, por sinal, demonstra sua Realidade Una, ou seja: somos Espíritos palingenésicos, que, queiramos ou não, somos dirigidos pelo Mundo Espiritual que detêm as rédeas de Tudo: de Mim, de Você, e, de todos nós.

 

O que, noutros termos, significa expressar que o Mundo Material é, de fato, uma passagem para o Mundo Espiritual, um Mundo Melhor, sendo aquele, pois, algo um tanto irreal, mas condutor de algo Real: o Mundo Verdadeiro, de nossas Almas, nossos Espíritos imortais que, afinal, se redenciona e se prepara para uma outra vida: a Vida Verdadeira, a Vida Espiritual.

 

Logo, o Espírito humano, por evolução, se dirige para um outro Mundo: o Mundo Verdadeiro, o Mundo Espiritual.

 

E tudo quanto se nos pede é que sejamos Espíritos melhores, mais caritativos e benevolentes para com o próximo, consoante Normas do Mais Importante Livro Terreno: o Evangelho de Jesus, que proclama:

 

“Amai-vos uns aos outros assim como Eu vos amei”.

 

E, como nossos saberes são algo profanos, conquanto se distendam para os saberes ou para a sabedoria dos Espíritos Excelsos, o sábio Espírito de Sócrates, aqui no Mundo terreno, propagava:

 

“Quanto mais Sei, mais Sei que nada Sei”.

 

Que, de fato, trata-se da mais pura realidade, por que, afinal, nossos saberes mundanos se alteram e se modificam o tempo todo, mas o saber evangélico permanece, sendo o “Evangelho”, pois, uma Norma de Conduta Superior, que, ao ser praticada pelo Espírito humano, ele vislumbrará que, de fato, nada sabe, sendo, pois, o Saber Divino, o Saber d’Aquele que Tudo Sabe: do ontem, do hoje e do amanhã, pois que:

 

“Deus há criado sempre, cria incessantemente e jamais deixará de criar”. (”AG” – ak – 1869).

 

O que implica em algo passado, presente e futuro, pois que Deus há criado sempre, (passado), cria incessantemente, (no presente), e jamais deixará de criar, (no futuro), cumprindo-nos, pois, como Espíritos rebelados que somos, compreender e praticar as normas evangélicas de nossa redenção espiritual, que implica em humildade para com Deus e para com o próximo, amando-o como nosso semelhante, nosso irmão.

 

Assim, para encerrar, diríamos que as palavras atribuídas a Sócrates envolvem, indubitavelmente, algum paradoxo, pois, parece-nos que ele não está a dizer que nada sabe, mais sim, que não tem certeza absoluta de tudo, mas se sente confiante de certas coisas, sobretudo das coisas espirituais.

 

Ora, Sócrates fora forçado a tomar veneno pelos seus inimigos, e se dispunha com absoluta calma dizendo:

 

“Não tem problema, eles também estão condenados”.

 

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