O que são as sociedades humanas?

O que são as sociedades humanas?

O texto abaixo é um trecho do capítulo 2, do volume 2 – As Sociedades Humanas, da obra Repensando o Universo, de Ariovaldo Batista. A obra completa está disponível para download em nosso site através do link: Repensando o Universo.

 

            Sem entrar no mérito das definições, entende-se como “sociedade” um agrupamento de seres-vivos gregários, no caso humano, BANDOS DE PESSOAS como alguma característica específica, com a ideia de “grei ou rebanho”. No caso do homem se sobrepõe a existência de leis humanas que circunscreve o grupo, e neste caso, estamos falando evidentemente de NAÇÕES, onde as leis jurídicas, isto é, registros, se sobrepõem às leis naturais que não são do homem, mas às quais é subordinado como mero ser-vivo como os demais. Não se tem nenhum indício de que qualquer outra espécie viva tenha elaborado suas próprias leis em forma de registros para viver, EXCETO O HOMEM ADÂMICO, ainda que cada espécie de certa forma tenha seus próprios códigos ou princípio de vida, evidentemente escorados nas leis da natureza. O “homem adâmico ou agrícola” tem formulado ao longo dos tempos suas próprias leis de vida, por isso é de fato outra espécie viva, pois o mesmo fenômeno também não se encontrava no “homo-sapiens”.

            É o que entendemos hoje por leis que são REGRAS ESCRITAS. Esse evento teve como origem as atuais “religiões oficiais”! Retornando à ideia de um “fim de mundo”, parece que nos aproximamos do fim da “espécie humana”, como o mero organismo que ainda utilizamos. Que tal outro “ser-vivo” que sequer precise de se alimentar como fazemos, de viajar como viajamos etc.? ALGO MAIS PRÓXIMO DO PRÓPRIO ESPÍRITO? Não se pensa como inventor, mas apenas como razão que também está em evolução. Mas ainda somos “espécie humana” com o organismo que ainda dispomos herdado do velho “homo-sapiens”, essa é a realidade.

            Uma sociedade é um grupo de indivíduos da “mesma espécie” que naturalmente acontece no sistema familiar e é típico de cada espécie em se tratando do ser-vivo na Terra, como se a família fosse a “unidade celular da sociedade”. Uma colmeia de abelhas é uma sociedade familiar numerosa, como outras que são bem diminutas, às vezes, um único par, falando especificamente dos animais. Mas a maioria das espécies vive em grupos, que formam suas respectivas sociedades, e cuja finalidade biológica é garantir a vivência de cada um de seus indivíduos. Hoje as sociedades humanas são as nações, cujas células na realidade são as cidades, onde de fato vivem as famílias, pouco importa as formas como se apresentam. Uma pessoa por mais isolada que se mostre, sempre faz parte de alguma família, seja consanguínea ou não, e o grande conjunto de famílias formam as cidades, como se argumentará à frente. A nação é tipicamente humana, e os indivíduos da “mesma espécie” têm conotação mais espiritual do que material. Nada diferencia o francês do angolano, exceto a cor e/ou o sentimento de nacionalidade de ambos, que é algo espiritual.

            Faz sentido a ideia fractal mencionada na I Parte, como se o projeto “natural” fosse sempre feito de “unidades”. As sociedades parecem típicas do processo evolucionário inteligente. Nas sociedades humanas como nações admite-se como a unidade celular, a cidade, hoje individualizada no que entendemos no Brasil como “município”, em outras nações com mesmos ou outros nomes. São, de fato, os “espaços físicos” onde vivem os homens como “lei” na Terra. Já se disse que o homem não vive nem no seu Estado, e nem na sua Nação, MAS NO SEU MUNICÍPIO OU CIDADE. Isso, contudo, não impede que o sentimento de civilidade

 

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como se verá ainda, se estenda à nação e não exclusivamente à cidade. Ainda que sempre haja a tendência do que entendemos como bairrismo, a nacionalidade parece cada vez mais nítida se referir à nação, e não a qualquer cidade, como acontecia no passado. Faz sentido dizer “francês ou americano ou brasileiro”, e não Parisiense ou Novayorquino ou Paulistano.

            Admite-se que as “leis dos homens” surgiram com o “homem adâmico ou agrícola” e com o evento das religiões, em particular o caso Bíblico. Antes apenas existiam as leis da natureza. A sociedade humana considerada, portanto, tem início histórico em Adão e Eva, surgidos por volta de 10 mil anos atrás, e não no homo-sapiens há 150 mil anos, ou com certeza, muito mais do que isso. Até então, a humanidade se comportava como qualquer outra espécie, cuja lei é VIVER E PROCRIAR. Isso acontecia “vivendo em grupos ou tribos”, que da forma gregária se transformou aos poucos em “sociedades”. A sociedade humana como nação, contudo, surgiu na Idade Média por volta do século XIV. A forma de “agregação” evolui com as próprias espécies, o homem no topo da Vida na Terra. Só conhecemos de fato esse tipo de Vida isolado na Terra, a do homem.

            Algo característico das sociedades que constatamos é a existência de algum tipo de liderança. Numa floresta há árvores de uma mesma espécie em vários estágios de desenvolvimento, mas nenhuma forma de liderança entre os indivíduos se observa nelas, e é pouco provável que também ocorra isso entre os vírus e bactérias. Vamos dizer que a presença de liderança já é evidência de estágio de evolução da própria Vida na Terra em outras espécies, mormente entre os mamíferos. Ainda que se esteja falando de meras observações. A sociedade humana apresenta a questão comportamental e também a forma de liderança, mas é em particular muito mais específica, e esta parte trata de fato da sociedade humana, e outras sociedades de seres-vivos serão apenas utilizadas como ilustrações. Parece que a necessidade de liderança decorre do fator de “mobilidade”, que não se constata nas plantas.

            Uma colmeia simula bem uma sociedade pelo fato de apresentar claro o aspecto urbano e de hierarquia orgânica, ainda que diferenciada das sociedades humanas, como se verá mais abaixo. A liderança não é apenas “hierarquia orgânica”, mas forma de condução de um grupo. Algumas espécies têm isso claramente quando se formam em “viagens” migratórias ainda que nos apareça apenas como “formação” e não propriamente lideranças, como por exemplo, nas migrações de aves e insetos. Outras espécies apenas se formam em grupos “organizados” sem liderança aparente alguma como certas migrações de animais na África como se acontecessem por “instinto”, funcionam mais ou menos como as enchentes nas grandes chuvas. Ainda que isso possa ser apenas equívoco de observação. As sociedades humanas têm nitidamente a forma de lideranças por comando, também existente em vários mamíferos principalmente no estágio selvagem. Domesticados, perdem essa forma de “comando”, porque se submetem diretamente ao próprio homem. É evidente que o homem exerce comando e liderança também entre as demais espécies, o que comprova a atuação de espírito mais evoluído. Uma manada não tem de fato lideranças, exceto a do homem, que até usam cães e cavalos para ajudar.

            Como se vê são classificações que fazemos com nossas observações, que são falhas e podem ser corrigidas em quaisquer instantes, como comumente a ciência tem feito ao longo do tempo, tendo como exemplo, o Geocentrismo já mencionado, evoluído hoje para as questões universais muito mais amplas. No homem, a liderança é clássica na formação do próprio grupo como sociedade. A liderança seria como a existência do “cérebro da sociedade” nas espécies tidas como mais desenvolvidas. Vai-se detalhar melhor o que se entende por sociedade como “ser-vivo”, inclusive inteligente.

            Como os organismos, que são compostos de outros organismos, a sociedade é de fato um organismo composto de vários outros, e se for possível atribuir ao mesmo uma inteligência, podemos entendê-lo classicamente como um “organismo vivo”, como as ideias de Gaia e outras similares. Será mostrado abaixo como se entende isso, e nessas condições, uma sociedade é um “ser-vivo” composto de outros seres vivos, aliás, como o próprio ser-vivo como se viu anteriormente composto de órgãos, micro-organismos e células que de fato compõem todos os

 

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órgãos e o respectivo organismo vivo. Como o próprio automóvel com seus vários órgãos

            quando sob o comando de seu motorista. A individualização de qualquer ente ou organismo se dá pelas suas respectivas “limitações materiais” ou divisas, ou peles, ou películas, ou latarias, ou o que queiramos entender como tais. Essas “divisas” no caso de nações são muito mais “mentais ou virtuais” do que reais, até mesmo nas que encontramos hoje nas nações. Um rio é em geral uma divisa natural, mas na realidade é o “eixo imaginário” do rio que de fato se torna divisa. O rio é apenas uma “mentalização” de divisa, como poderia ser outra linha imaginária qualquer, mais comum hoje em dia como divisa, principalmente na questão marítima e aérea.

            Como ser-vivo, e usando a ideia ou revelação na Doutrina Espírita, é preciso encontrar a forma material e espiritual como isso acontece. O corpo material é o próprio território considerado como Estado ou Nação. O “perispírito”, que seria o sistema de controles, é claramente o respectivo governo de cada nação, composto dos mesmos indivíduos que formam a nação. E a inteligência, como se verá mais detalhadamente na frente, na realidade se pode representar pelos acervos de conhecimentos admitidos no texto como as artes, a religião e a ciência. Apenas uma forma equivalente de se considerar as sociedades como outros seres-vivos na Terra.

            O caso do homem é diferente das demais espécies de animais cujas respectivas sociedades se formam apenas pelas leis da própria natureza, que significam apenas um processo de viver e procriar, e permanecem como que estáticas ao longo do tempo. O homem introduz sua condição de viver e procriar também sob suas próprias leis, que decorrem de sua própria condição de inteligência racional em condição de evoluir. O fenômeno é tão expressivo que os homens estão até mesmo estabelecendo “novas leis” às demais espécies, como se evidencia nas questões agrícolas e de criação, mas que também é extensivo às espécies ainda em sua condição natural ou selvagem. Uma lei da Vida é de fato a morte de uns, para sustentar a vida de outros.

            Isso é o que acontece com as criações e culturas agrícolas, que não é a mesma coisa de um aborto ou assassinato. Outros exemplos típicos são os zoológicos. As cidades estão mudando inclusive a vida no campo e nas florestas. Digamos que os animais “domesticados” e as “culturas” se tornam na realidade uma extensão física do próprio homem urbano. Chegamos ao ponto de determinar qual é a idade “ideal” para as espécies domesticadas, e resolvemos isso simplesmente as sacrificando, como acontece com as criações e plantações. Como lei para sobrevivência, não parece contrariar a própria natureza, como simples tara humana, a coisa muda moralmente de figura. Até entre as espécies já identificamos “espécies domésticas”, como oriundas das mais antigas simplesmente selvagens, como exemplo a apicultura industrializada.

            Isso faz sentido para o homem-adâmico, nenhum sentido para o ancestral sapiens, que apenas trabalhava para viver e procriar como qualquer outro ser-vivo.

            Não se está sugerindo que ongueiros invadam matadouros ou plantações por isso, está-se apenas mostrando como funciona a natureza, e o homem simplesmente faz parte dela, e para isso faz também suas leis. Bastam apenas mais moral e ética nas mesmas como se verá. Mas dá para imaginar como viveríamos sem os criadores e os matadouros, tanto quanto os agricultores e as colheitas desde o homem adâmico?

            Na natureza é clara a característica das leis, todas estabelecem direitos com os respectivos deveres, quando isso não ocorrer, entramos em confronto com a própria natureza, onde estamos inseridos sem nossa vontade, permissão ou sequer decisão. As leis que refletem supostos direitos dos animais são, na realidade, “deveres” dos homens pelo “direito” de ter inteligência mais evoluída, não “direitos dos animais”. Daí que criar ou cultivar qualquer coisa como direito de existência, demandam leis morais aos próprios homens também com deveres. Basta pensar dessa forma no caso polêmico dos transgênicos! A prioridade nas leis é a Vida, que demanda trabalho e inteligência para viver.

            O homem está mudando o ambiente na Terra praticamente em todos seus aspectos, e decorre disso ser um equívoco entender que apenas a inteligência do homem evolui como já se tratou na parte anterior na questão da Inteligência. Onde se mostra que outras espécies também [...]

 

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