Repensando o Universo

Repensando o Universo

            O livro completo é muito volumoso, daí se dividir em volumes, que tratam de assuntos isolados e são continuidade um volume do outro. O Volume I é o resultado de alguns anos de estudos e pesquisas, que de fato deram origem ao texto completo, procurando respostas pessoais para alguns sofismas ou paradoxos encontrados ao longo de uma existência. Em particular, sobre dois deles que de fato deram origem ao texto.

            O preâmbulo está na primeira pessoa do singular, como uma narrativa pessoal cuja finalidade é dar as diretrizes e premissas ao texto completo com outras partes que tratam de “argumentos” sobre as teses ou premissas admitidas neste preâmbulo. As outras partes serão descritas na terceira pessoa ou no plural. O texto começou a ser rascunhado na primeira década deste século, mas na realidade começou a ser esboçado mentalmente quando parei de trabalhar em fábricas no final dos anos 80, e sobrando mais tempo, comecei a pensar nos dois paradoxos que me acompanharam por quatro décadas aproximadamente. De saída, devo falar desses paradoxos.

            O primeiro paradoxo de ordem religiosa ocorreu quando estudando num seminário no início dos anos 1950, me deparei com um sofisma que descobri alguns anos depois ser também argumento de muitas pessoas, inclusive dos que se consideram ateus.

            Se Deus é Infinito em seus atributos, como se explicam injustiças, erros, destruições etc.?

            Deus Infinito poderia errar e ser injusto?

            O segundo, vinte anos depois, já na vida profissional, lendo um livro de administração no início dos anos 70 que não recuperei mais e me parece ser de Peter Drucker, dizia com minhas palavras em um dos seus capítulos:

            A humanidade dispunha de conhecimentos, tecnologia, recursos e meios para atender as necessidades básicas de toda a humanidade, mas que inexplicavelmente, grande parte dela ainda vivia na absoluta miséria, perecendo de fome, de guerras, de revoluções etc.

            O homem seria feito à imagem e semelhança de Deus por ambos serem injustos?

            Foram dois grandes sofismas que me acompanharam por décadas, e em cuja origem se denotava claramente o conceito de injustiça como parte integrante da concepção humana, mas que de fato me pareciam paradoxais.

            A resposta de um religioso ao primeiro sofisma foi que Deus não era para ser entendido, mas adorado. Pareceu-me tão estranha na época que me levou a distanciar da religião, ou melhor, da Igreja Católica, onde nasci e praticamente fui criado na infância e adolescência. Isso implica num processo complicado de “culpa por nada”, mas é opressiva, e quem já a teve, pode entender. Condena-se uma pessoa ao inferno eterno que sequer se sabe o que seria, porque não assiste missa aos domingos, não comunga assim ou assado, não se confessa a um padre todo ano, etc. Como se isso pudesse ser uma “imposição de Deus Infinito” para livrá-lo de algo totalmente imponderável e absolutamente desconectado de qualquer sentimento de justiça, além do que era o que eu mesmo estava questionando, SEM RESPOSTA!

            A própria Igreja Católica nas últimas décadas parece estar reformulando esses conceitos a bem da verdade antigos e ancestrais, mas que no núcleo dela continua ainda sendo dogmas de fé, como minha presunção. O fato é que me tornei um católico que não praticava catolicismo algum. O paradoxo que martelava e a consciência abatida de remorso foram-me tornando materialista por várias décadas, no sentido de me desconectar de qualquer religião ou igreja que parecia apenas mística. Não se trata de criticar “regras ou cânones” de uma instituição temporal, que sem dinheiro, também fecha as portas como qualquer empresa, mas para a prática dogmática de rituais por coisas que não sabe se existem. Como meu objetivo na época era “cuidar da vida”, deixei para lá o sofisma. Na realidade não diferenciava misticismo de mente ou espírito.

            O segundo sofisma o próprio autor do livro analisava no início dos anos 70 do século passado, à priori chegando a conclusões nada melhores. Se a questão fosse a fome, dizia o livro, bastaria fazer chegar ao local onde faltava, o alimento que sobrava em outro local, coisa amplamente viável e factível como os recursos que já se dispunham. Mas acontece que nos locais onde mais se aprofundava a fome, abundavam convulsões interinas e revoluções fratricidas, opressões ditatoriais etc. e os alimentos nunca chegariam aos que precisavam dele, mas se perderiam no caminho das injustiças. Então, continuava o autor, seria necessário antes que se levasse a educação para esses locais, coisa até mais simples de resolver com escolas e mestres transferíveis de onde estava melhor, para os locais onde isso se necessitava, isto é, aquelas mesmas regiões em litígios. Mas quem tinha fome não tinha como estudar. Além de que quem governava, não estava interessado em melhorar a educação do próprio povo. E se voltava ao ponto de origem.

            E nessa forma de raciocínio, cada solução óbvia tinha implicações ou óbices complicadores mais óbvios ainda. Claro que o livro parecia encontrar uma solução, que realmente não encontrou. Na realidade expunha soluções administrativas de fato PARA QUEM JÁ ESTAVA EM CONDIÇÃO DE ABSORVER SUAS CONSIDERAÇÕES A RESPEITO, e não atingia de fato quem o livro até criticava. Falava evidentemente para empresas e administradores “capitalistas” do denominado Primeiro Mundo, e para as sociedades que aspiravam de fato chegar lá mais rapidamente, além de que para as nações miseráveis falava apenas às elites que não passavam fome nem necessidades, até muito pelo contrário. Para os famintos que sequer sabem ler, de fato o livro não trazia mensagem nem solução alguma, e parece que muito menos falava para os governantes que faziam as coisas serem como são.

            Deus não via isso, ou via e tudo seria assim mesmo? Naturalmente os dois paradoxos se encontravam, mas afinal, o problema não fora obra minha, e a solução também não parecia de minha alçada. Estava bem no início dos anos 70, formado engenheiro apenas 5 anos antes, como profissional técnico e administrativo.

            O fato é que hoje podemos encontrar o mesmo estado paradoxal de 50 anos atrás, e na realidade, são os mesmos paradoxos que a história relata ao longo dos séculos de nossos conhecimentos. Em outras palavras, em termos de justiça social parece que a humanidade não saíra da era histórica das religiões. Coisa em torno de 4 mil anos atrás, e remontando a era do surgimento de Adão e Eva que coincidiria com o “homem agrícola” do ponto de vista científico em torno de uns 6 a 10 mil anos atrás. A história é um farto repertório desses desencontros da sociedade humana com a justiça, e nada indica que sequer estejamos saindo desse beco aparentemente sem saída, em plena era dos avanços científicos da comunicação que estaria numa nova fase da era atual do capitalismo iniciado no final da Idade Média.

            Uma conclusão que me parecia absurda e irracional, mas conclusiva, era admitir que o homem era semelhante a Deus exatamente por serem ambos INJUSTOS?! A religião não tinha resposta sobre Deus tanto quanto a ciência também não tinha sobre a Humanidade? Havia algo vago que na minha maneira de ver a vida mostrava um vácuo. Ou faltava algum elo que ligasse o que somos de fato e o que aprendíamos como homens em processo claro de evolução intelectual. Mas quando me deparei com este segundo sofisma, estava em plena época de iniciação profissional, já envolvido na administração em empresa, em particular, na área da indústria automobilística, e por isso o automóvel será bastante utilizado neste texto como ilustração de vários conceitos. Decidi que a concentração na vida profissional era o fato prioritário na minha vida, e deixei de lado essas questões pessoalmente mal resolvidas. Então, me tornei alienado nas duas grandes perguntas que fizera a mim mesmo por longos anos. Afinal, não eram problemas meus.

            Algum tempo depois li o livro “O Homem que Venceu Auschswitz” de Denis Avey (2011), uma autobiografia de Denis, um inglês, quando prisioneiro de Guerra nazista, e que voltaremos a falar na Terceira Parte. No último capitulo conta a história de outro prisioneiro alemão judeu no mesmo lugar, chamado Ernie (na prisão Ernest) num depoimento gravado nos EUA em 1995, na Fundação Shoah, e que se conheceram quando em cativeiro. No final da gravação esse outro depoimento diz para as futuras gerações:

            - “Para que o mal triunfasse, bastou apenas que os bons não fizessem nada

            Isso me calou fundo, e algo que eu poderia fazer, era de fato registrar o que estava formulando como ideias, e de fato deu origem ao presente texto, que evoluiu conforme segue.

 

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