Entendendo Deus

Entendendo Deus

por Ariovaldo Batista

postado em nov. 2018

INTRODUÇÃO

            Trata-se de uma questão controversa que tem acompanhado a história da humanidade até onde se consegue encontrá-la tanto no tempo como no espaço. A evidência do homem como espécie diferente das demais na Terra acontece exatamente com o surgimento das religiões, e por isso mesmo, se presume confundir Deus com religiões e conceitos religiosos. As civilizações se formaram em torno de conceitos de conteúdos religiosos, mas é preciso que consigamos conceitos e premissas mais racionais para de fato se poder entender o que seria DEUS. Foi escrito todo maiúsculo, porque dessa forma se pode entendê-lo em todas as religiões e línguas, através dos mitos. Tem-se entendido que “Deus” (D maiúsculo) se refere ao conceito de DEUS INFINITO, enquanto “deus” (d minúsculo) seria nome genérico de qualquer entidade definida em princípio, em qualquer religião ou civilização ou até povo. Entendimento é também conceito específico do homem na condição de racional, isto é, presume-se uma forma racional de entender Deus.

            Explica-se que não se pretende definir o que entendemos por Deus, e muito menos situá-lo em alguma questão doutrinária ou teórica, mas apenas expor argumentos que nos mostrem a possibilidade de racionalmente, fazermos uma ideia racional sobre a questão. Não é um postulado sobre Deus, sua natureza etc., mas sobre a possibilidade da nossa razão inteligente fazer um entendimento sobre Deus, em particular, Infinito (sobre a ideia de infinito, veja o texto do mesmo autor: A questão do infinito).

            O texto não tem a intenção de repetir, analisar ou sequer comentar sobre as diversas conotações, definições, explicações, teologias etc. que se faz ou se usa na questão, mas apenas introduzir o entendimento racional de Deus. E quando se diz racional, nos colocamos no tempo presente com o avanço intelectual, moral e ético da civilização humana, que torna o homem de hoje, uma espécie diferente do nosso ancestral “homo-sapiens”, e muito mais diferente ainda de outros “hominídeos” que nos antecederam. Para isso importa que façamos um rápido passeio na história da “espécie humana”, para chegarmos a possivelmente, entender o que possa ser Deus. Não se trata de defender ou sequer definir a existência de Deus, mas apenas um argumento racional a respeito.

            Como se fala da razão, entendemos como “intelecto evoluído”, por isso admitimos que outras espécies sejam “irracionais”, e entramos em outro campo de definições. A razão em princípio é atribuída apenas à espécie humana quando se refere aos seres-vivos, que apenas constatamos até hoje na Terra, mas aí se entra de novo na necessidade de explicações. O que é um SER-VIVO? Até por ser uma questão de “razão”, até hoje não se tem uma definição clara e consensual tanto nas religiões, como na ciência e nas artes, QUE SE CONSIDERAM AQUI COMO “ENTENDIMENTO”, OS 3 ACERVOS DE CONHECIMENTOS ACUMULADOS DA CIVILIZAÇÃO HUMANA até hoje. E se fala de novo de “entendimento”, então temos que começar por explicar o que seja “entendimento” no texto. Trata-se especificamente da constatação de que a inteligência humana está em evolução, e se considera, no caso, em estágio tal capaz de formular argumentos a respeito de Deus, que nas demais espécies não é possível encontrar. Mas é evidente que animais domesticados também mostram “evolução” de inteligência, quando domesticados ou “treinados” pelo homem. Mas é quase impossível treinar qualquer outra espécie na arte de “pensar”, no máximo se consegue ações treinadas que dependem de “pensar”. Não temos como saber o que pensa qualquer indivíduo vivo, inclusive, o homem.

            Há dois termos que confundimos, mas que no texto se tem de explicitar: Entender e Saber. São termos homólogos, MAS CLARAMENTE DIFERENTES como conceitos que se admitem no texto. Vamos dizer que para “entender”, é preciso da INTELIGÊNCIA num grau até certo ponto DESENVOLVIDO. Enquanto que para “saber”, precisamos acumular CONHECIMENTOS. E novamente nos atolamos em termos até certo ponto, mal definidos e compreendidos. E surge outro termo “compreender”.

            Como o texto está em Português, é preciso discernir com mais precisão os termos que se está usando, COMO ENTENDER E SABER. Olhando um dicionário bem antigo da década de 1940, com aprovação da Academia Brasileira de Letras, sem capa e com nome já ilegível, mas tinha uma longa introdução (presume-se) de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, encontra-se as seguintes definições:

 

COMPREENDER, v.t. – Conter em si; constar de; abranger; incluir; perceber; entender; conhecer as intenções de; p.estar incluído ou contido; encerrar-se.

ENTENDER, Compreender, saber perfeitamente; conhecer; deduzir; etc. (mais outros 29 “sinônimos” ou equivalentes na língua portuguesa).

SABER, Conhecer, ser informado de; ter conhecimento de; estar convencido de; ser instruído em; compreender; poder explicar; estar informado; etc. (mais outros 30 significados e entendimentos).

            Claro que as definições são na realidade através de outros termos homônimos ou similares, quase que se correndo atrás do rabo.

 

            Com certeza, olhando outros dicionários se encontrariam coisas análogas, o que importa é a completa confusão no uso dos termos na língua, e que não é diferente em qualquer outra língua, mesmo entendendo que cada língua se “especializa” no uso de determinados termos, tornando-se “mais precisa” nesse caso, como exemplos, “saudade” em português, dedicated em inglês etc. Consultando outras fontes, em particular na internet, as definições entram no ciclo vicioso de apresentar sinônimos entre elas. Compreender pode ser “entender e saber” assim como qualquer outra, pode ser sinônimo das demais, e se permanece mais ou menos nas incertezas.

            Para contornar a questão, VAMOS DEFINIR O QUE SE ADMITE POR “ENTENDER” e “SABER”, resumindo que compreender no texto, É ENTENDER E TAMBÉM SABER ao mesmo tempo. É mais fácil com exemplos. Podemos “entender” a mágica, sem saber como se faz, o mágico pode até fazer sem de fato entender muito, mas no caso, quando se entende e se sabe como fazer, admite-se que se “compreende” o que seja a mágica. No caso geral, “entendemos” o que seja, e o profissional “sabe” como fazer. É a partir daí que se descreve o “entendimento de Deus”. Não “sabemos” como seja, e se soubermos, DEIXA DE SER O DEUS QUE ENTENDEMOS, em particular, INFINITO.

            Como presunção, questões como Deus e outras, se tornam mais difíceis e complicadas quando não se esclarece os termos usados, em particular no âmbito do texto.

 

ENTENDER – Presume-se um grau mais elevado de evolução da inteligência para se entender algo. Qualquer comunicação ou informação que se queira passar, NECESSITA-SE DE QUE O OUTRO LADO “ENTENDA”, isto é, tenha capacidade intelectiva para tal. Todo ser-vivo tem capacidade de entender, então, uma definição do “ser-vivo” é ter capacidade intelectiva de “compreender” alguma coisa. Por isso os “filhotes” são ensinados pelos pais, o grupo “ensina” para seus indivíduos etc. etc. Ensinar demanda a capacidade de “entender” e capacidade de “fazer”, isto é, “compreender” e todo ser-vivo expressa isso PARA PODER SER VIVO. Entender é uma definição de SER-VIVO, que quer dizer TER INTELIGÊNCIA. A questão primária é que inteligência se evidencia ou se expressa em “graus”, e isso de fato divide os seres-vivos em “espécies”. A doutrina da evolução (Darwin) na realidade não se refere aos “seres-vivos”, mas aos organismos materiais que de fato ERAM VIVOS. Contabilizou as espécies não pela característica de “ser-vivo”, mas pela característica dos organismos que lhes davam suporte material. Seria como dividir os automóveis em “espécies”, e confundir essas espécies, COM AS CARACTERÍSTICAS DE CADA MOTORISTA que de fato usa seu automóvel.

            Podemos até saber sobre o automóvel, MAS PARA COMPREENDER COMO VEÍCULO DE TRANSPORTE, É PRECISO ENTENDER TAMBÉM O “MOTORISTA” QUE O USA, O SISTEMA VIÁRIO etc. etc. Espécie de ser-vivo é diferente de espécie “biológica”, esta trata do “organismo material” quando vivo, o ser-vivo é o conjunto do organismo mais o que lhe dá vida, que se admite no texto ser seu “espírito”, que seria algo como o “motorista” do automóvel! O automóvel e seu motorista se tornam “ser-vivo”, com a mesma inteligência do motorista, mais a capacidade do carro de “aceitar” essa inteligência. Para os modernos têm até um cérebro, o processador.

            Então, entender é um atributo da inteligência de um ser-vivo, em particular o homem, que demanda seu grau de evolução evidenciada no respectivo ser-vivo que a possui. Numa mesma espécie “biológica”, um indivíduo pode ter “grau” de inteligência diferente de outro, e, portanto, TER TAMBÉM GRAU DE ENTENDIMENTO DIFERENTE. E demanda a clara evolução da inteligência. Neste caso, vamos admitir que apenas o homem com intelecto mais “evoluído” pode entender o que seja algo, inclusive Deus Infinito, a mágica etc. Podemos sequer imaginar um cão fazendo mágicas?

 

SABER – Apenas entender, não significa que também “sabe” sobre algo. Um exemplo ilustrativo está de novo na mágica já dita acima. Considera-se mágica algo “irreal” que parece, mas não é! Mas na realidade, pode ser mais abrangente. Se um fenômeno ocorre, e NÃO SABEMOS COMO É, pode ser considerado como “mágica”. A questão é “saber”. Mas podemos explicar melhor. A mágica comum é algo que podemos “entender” mesmo sem “saber”. Se o mágico “explicar” como faz sua mágica, PODEMOS ENTENDÊ-LA PERFEITAMENTE, mas outra coisa é “saber como se faz”. Então, enquanto entender demanda apenas capacidade intelectiva para tal, SABER DEMANDA CAPACIDADE DE AÇÃO. Um fenômeno acontece quando existe capacidade de “fazê-lo”, assim o “mágico” sabe como fazer a mágica, portanto, SABE COMO É A MÁGICA! Com a evolução da inteligência, teoricamente podemos ENTENDER QUALQUER FENÔMENO, outra coisa é conhecê-lo e mais ainda FAZÊ-LO.

            Quando um animal é treinado pelo homem, ELE SABE COMO FAZER DETERMINADAS COISAS, ainda que sequer entenda o que está fazendo. Então, as demais espécies podem “saber” sobre alguma coisa, sem terem o grau suficiente de inteligente para “entender” sobre a mesma coisa. O homem na infância ou na condição de demência age muito próximo aos animais que chamamos “irracionais”, que de fato é uma simplificação da coisa.

 

COMPREENDER – Ainda que entendamos algo, e o saibamos como é e até o façamos, há ainda a questão da compreensão. Voltando à mágica, O MÁGICO ALÉM DE ENTENDER E FAZER tem que ir mais além: PARA O QUE SE FAZ A MÁGICA? Mesmo que o motorista entenda e saiba como é o automóvel, COMO MOTORISTA HÁ QUE COMPREENDER PARA O QUE SERVE! A compreensão do automóvel vai muito além da simples máquina, mas envolve comportamentos do homem na sua própria sociedade. Então, compreender o automóvel é entender e saber que ele é um veículo de transporte do homem na sociedade onde viva, em geral, as cidades!

            Toda esta introdução é para conceituar o que seja ENTENDER DEUS, em particular, o Deus Infinito. Podemos entendê-lo, outra coisa é saber como é, outra mais ainda é COMPREENDÊ-LO! Ainda mais, SE FOR INFINITO, que implica em simplesmente deixar de ser, se nos for compreensível!

 

1 – A QUESTÃO DE DEUS

            Como em princípio se vai tratar de Deus Infinito, então, há que se conceituar a questão do infinito para o homem. Nenhuma outra espécie tem a percepção de infinito, apenas o homem, e a partir do que na história entendemos como “homem adâmico” (da Bíblia) ou “homem agrícola” (da ciência), demandando que evoluísse com sua própria inteligência. Até lá, a “espécie humana” era apenas outra “espécie biológica” que estava aqui para “viver e procriar”, E NADA MAIS. E quando começou a ‘compreender’ o que seria “viver”, surgiu a questão da ‘utilidade’ de VIVER E PROCRIAR. E descobriu que poderia “evoluir” com sua inteligência, isto é, TER INTELIGÊNCIA EM GRAU MAIS ELEVADO. Começou a “se perguntar”: POR QUE e PARA O QUE? Em outras palavras, foi “expulso do Paraíso” de apenas viver e procriar, e colocado no outro mundo de “por que viver e procriar”, e quase de imediato lhe surge a pergunta: TIRADO E COLOCADO “POR QUEM”? A resposta automática foi “por alguém”, e esse alguém se convencionou ser “deus”, primeiro ‘minúsculo’. E como havia muitos fenômenos a considerar, SE ADMITIU “DEUSES”, como se  cada um fosse “alguém” especializado nas diversas coisas que o homem percebia. A ideia inicial seria algo semelhante ao próprio homem, mas capaz de fazer o que o homem não fazia! Imagine o raio e o trovão!

            A inteligência do homem na sua juventude de “homo-sapiens” que vinha de uma infância de outras espécies, entre elas, o que chamamos de “hominídeos” já mais evoluídos intelectualmente do que os macacos, por exemplo, além de começar entender que poderia criar ferramentas e coisas para viver, começou a também querer entender “por que” era assim, e daí para frente, PROCUROU SABER O QUE FAZER, COMO ERAM AS COISAS ETC. ETC. Nenhuma outra espécie já chegou nesse estágio digamos, de inteligência, que resumimos como “racional”.

            Então, “deuses” foram “alguém” que colocou o homem na condição de “saber que vivia e que procriava” com alguma finalidade. E quem “explicava” isso, eram pessoas “humanas” que sabiam mais, HOJE ENTENDEMOS COMO OS PAJÉS, cujo conceito primitivo se chega às religiões. Modernamente chamamos essas pessoas de “sábios”. Os pajés eram os “religiosos” dos nossos ancestrais homens adâmicos ou agrícolas, e dos pajés surgiram os “governos”, e até hoje ainda se governa na velha técnica do “cacique e seus pajés”. Pajés levaram às “pajelanças”, que por sua vez evoluiu para “rituais”, e religião se tornou ‘ritual de igreja’, e até hoje ainda confundimos “igreja” que é prática através de rituais, com RELIGIÃO QUE É APENAS CONCEITOS OU PRINCÍPIOS. Um cacique era quem governava um grupo ou “sociedade humana”, o homem começou a compreender que a natureza também deveria ter alguém que a “governava”, e concluiu ser “deuses”! E as pessoas passaram a “acreditar” nesses pajés, e hoje, os sábios, seja lá em que área atuem como artes, religião ou ciência.

            Surge novo termo, A CRENÇA, que tem também um homônimo, A FÉ que se resumem apenas em: A CRENÇA É UM SENTIMENTO, A FÉ É UMA AÇÃO DECORRENTE DESSE SENTIMENTO. Nas discussões misturam-se os conceitos, e se tornam discussões de sexo de anjo: cada um defende seus argumentos de pontos ou referenciais diferentes. Como ilustração, alguém que entra numa igreja, “faz isso por uma crença”, e se faz, tem “fé”. O cão também pode entrar na mesma igreja sem crença e fé alguma, EXCETO TALVEZ PROCURANDO O QUE COMER. O mesmo se pode dizer com o operário que entra na fábrica para trabalhar.

            Deus, portanto, surgiu da explicação de coisas que o homem começou a se perguntar, E PROCURAR RESPOSTAS como vários fenômenos da natureza percebidos e não explicados. Isso demanda “evolução da inteligência”, que biologicamente entendemos como “evolução do órgão cérebro”, mas se trata apenas de “capacidade de observação”. É como se a inteligência fosse um atributo do cérebro, que ficou como “sabedoria”. Hoje podemos entender que cérebro é um órgão como o “processador” de um automóvel ou máquina qualquer. Através do processador, a máquina “age como se fosse inteligente”, e quanto mais inteligente, quanto mais aprimorado é o processador. E fica, então, claro porque “entendemos Deus” através de “imaginá-lo”, primeiro como um “homem excepcional”, depois como uma “entidade infinitamente” acima do homem. Os “deuses” eram entidades “humanas” excepcionais, mas precisariam ser mais do que “humanas” para explicar coisas que o homem ia descobrindo “inteligentemente”. Esse “mais que humana” levou à admissão inteligente do “Ser Infinito”, que explicaria tudo!

            A questão do “Ser-Infinito” foi de fato uma “revelação” que as religiões reconhecem ser “diretamente de Deus”, agora já como uma “entidade real”. Mas hoje podemos conceituar de forma muito mais racional, de sorte que Deus ainda que seja algo “infinito”, e poderia ser entendível e compreensível de forma racional. Para isso precisamos entender um pouco mais do “infinito”.

 

2 – A QUESTÃO DE DEUS INFINITO

            À medida que o homem evoluía com sua inteligência, ficava claro também que na natureza deveria haver alguma “hierarquia” entre os “deuses” que de fato a ‘governavam’, como se fossem “entidades especializadas” em várias coisas. Quando surgiram as religiões, parecia claro que deveria haver um “Deus” que estaria acima de todos, e que por isso, deveria ser único, E SE CHEGOU AO CONCEITO DE DEUS INFINITO, que historicamente encontramos na Bíblia, como o escrito mais antigo e explícito sobre a questão. A grande contribuição das religiões à humanidade foi introduzir a escrita na vida do homem. O Budismo veio depois, e apesar de apresentar também um conceito de “deus único e infinito”, o imaginava como o próprio universo numa massa infinita, que se aproximava muito do “panteísmo”, ainda que restrito ao Universo Espiritual. Admitiu-se que isso tenha sido “revelado”, e se admitiu “revelado pelo próprio Deus”. Se alguém quiser conhecer uma explicação “racional” para isso, está claro e explícito na Doutrina Espírita de Alan Kardec publicada em 1856.

            Deus “pessoalmente” não revelou nada a ninguém, MAS ATRAVÉS DE ESPÍRITOS MAIS EVOLUÍDOS PARA OS MENOS, algo como o professor faz nas escolas!

            O fato real é que Deus Infinito e único foi uma concepção inteligente de “alguém” que teria criado o Universo onde vivemos da forma que não se saberia como, mas que poderia ser entendida. Daí os “fatos históricos” em particular da Bíblia eram apenas justificativas de uma crença num Deus Infinito que não teríamos como entender e muito menos saber. Se o Universo estava aí, e seria criado por Deus, COMO TERIA ACONTECIDO? E quem explicava ou “revelava”, passou a “imaginar” como teria sido, através dos mitos. E quando surgiu como dogma de fé, SE IMPÔS UM MITO, COMO UMA VERDADE! A inteligência evoluindo e essas imagens não batendo com que já se “sabia” de fato, deu origem a confrontos de ideias.

            Inicialmente, no âmbito religioso, destacam-se os sábios gregos e Cristo, há 2 mil anos como primeiros contestadores de mitos e dogmas de fé. Mais recentemente no advento do capitalismo e da ciência como a conhecemos hoje, passou-se a se questionar se Deus Infinito de fato pode existir ou ser mera “imaginação” do homem chegando ao que se discute hoje entre ateísmo e teísmo. É o que se procura “entender” no texto. Quando se fala em entender Deus, quase imediatamente nos referimos à discussão quase idiota e sem nexo entre ateísmo e teísmo, como se a coisa se resumisse em meras crenças prós e contra em correntes de pensamento.

            Para entender melhor, precisamos definir o que entendemos por “INFINITO”. A compreensão do homem (ou sua inteligência) é contida nas limitações da própria matéria, e claramente num “universo finito”, isto é, tudo limitado, tanto no espaço como no tempo. E surgem os conceitos de espaço e tempo, que são típicos da Vida que vivemos. Estamos neste contexto limitado e material pelo espaço e tempo, e isso molda nossos pensamentos. No infinito, espaço e tempo perderiam sentido, e isso de fato está praticamente em todas as religiões, ainda que de forma pouco claras, e até incompreensível. Mas podemos compreender?

            Tratando-se de um “estado de coisas”, não temos sequer como “imaginar” o infinito, mas podemos “entender” trazendo para o campo “semi-infinito” que nos é perfeitamente compreensível, ISTO É, O ETERNO. Presume-se que no tempo, algo tenha que ter “começo” ainda que não tenha fim, é o conceito de eterno. É-nos compreensível algo ser eterno, mas absolutamente incompreensível algo ser infinito, a não ser pela mera admissão ou crença, ou apenas por um estágio mais elevado de entendimento. É que se quer chegar.

            Estamos num Universo que se pode perceber e até constatar, e até a bem pouco tempo, era o único universo que podíamos entender e imaginar. Estamos falando do Universo Material, que as religiões já admitiam ser “parcial”, e hoje sabemos que apenas percebemos uma parte pequena de todo o Universo Material. Algo em torno de 4,6% de toda a massa do Universo Material. Vamos dizer que toda noção que a formiga tem do Universo, é a pequena parte onde ela de fato vive, o homem está em condição igual, apenas muito mais ampla e elevada. Nós conseguimos “ver” universos muito além do nosso, que inicialmente se limitava à nossa cidade, depois a outras partes da Terra, e por fim, o próprio espaço que hoje vasculhamos. Foi uma caminhada de evolução da inteligência. Hoje já estamos nas fronteiras entre o Universo perceptível e o não perceptível, e até existe um ramo da ciência nessa fronteira, a chamada “Quântica”.

            Incomodamente também nos deparamos com a condição de “infinito” que complica nossa ciência, mas que já era admitida há milênios, nas religiões. E dessa percepção de infinito, as religiões chegaram à concepção de um “deus” acima de todos os demais, em todos os sentidos, ISTO É, UM DEUS INFINITO. Tudo decorreu da “evolução da inteligência”, que muito além de nos colocar no mundo limitado em que vivemos, e nos lançou também aos outros mundos que sequer percebíamos, mas nos quais também vivemos. Exemplo, o sistema solar. Essa foi a concepção religiosa decorrente de explicações mitológicas de coisas que percebemos e constatamos, MAS QUE NÃO ENTENDEMOS E MUITO MENOS, SABEMOS. A ciência está apenas desvendando ou constatando o que de fato apenas se imaginava.

            Pensando na forma de “eterno”, o homem começou a se perguntar: COMO TUDO TERIA COMEÇADO? E esse tudo nada mais é do que o que o Universo, que hoje podemos entender, mas há milênios, ERA APENAS IMAGINAÇÃO DE ALGUÉM. A Bíblia deu “sua” explicação a respeito, através do que entendemos a “Gênesis”, simples como é!

            As religiões através de suas igrejas admitiram o Deus Único e Infinito, mas teria que apresentar sua “imagem”, que evidentemente não poderia de um animal ou de um fenômeno qualquer da natureza. Na Bíblia foi imaginado como “Geová”, que não se sabe bem o que seria, depois na Igreja Católica, a SS Trindade, MAS MUITO LONGE DE FATO DE SIGNIFICAR O QUE SERIA ESSE DEUS imaginado numa forma compreensível ao próprio homem. A SS Trindade é apenas uma “doutrina ou teoria”, que sequer poderia representar o Deus Único e Infinito, a não ser por meras explicações humanas, que a bem da verdade, se impõem como dogmas de fé. Dogmas de fé significam crenças, cujas verdades demandam a crença nesta ou naquela exposição de fatos, fenômenos, doutrinas ou teorias, através dos mitos (religosos) ou ficções (científicas). A crença estabelece verdades para quem acredita, outra dessas verdades “ficcionais” é o Big Bang, que se expõe em outro texto!

            A concepção de “deus” decorreu da evolução da inteligência do homem. A percepção de uma hierarquia de “comando” levou à concepção de um “Deus” acima dos demais na condição inquestionável de ser “infinito”, o resto foi como “imaginar” esse Deus. O que se contesta de fato são essas “imagens”, mas o fato é que admitindo o infinito, podemos de fato “entender” o que seria um Deus Infinito. “Entender” não significa “Saber” e muito menos “Compreender”. Se o Universo Material é infinito, e já percebemos com clareza isso, e ainda mais já temos a revelação da existência igualmente infinita de outro Universo dito Espiritual, é facilmente entendível que Deus deveria estar na origem de ambos, ainda da forma que não nos é compreensível. Mas podemos “imaginar” um começo de tudo, onde de fato colocaríamos esse Deus que admitimos Infinito. E no campo de definições típicas do homem atual, DEUS INFINITO SE FOR ENTENDIDO, SABIDO E COMPREENDIDO, DEIXARIA DE SER DEUS INFINITO, e passaria a ser “alguma coisa”, que está além de nossa capacidade até de compreensão. O “deus finito” são os mitos que estamos habituados a contestar.

            De sobra, podemos estender à “utilidade” de uma crença, seja lá no que for, inclusive em Deus. Se a crença tiver alguma utilidade para quem acredita, ela é válida e útil, senão, tanto vale a existência para quem acredita simplesmente por acreditar, como quem não acredita também simplesmente por não acreditar. Isso se chama “fé”, se não há a fé que segue a crença, AMBAS NÃO TÊM DE FATO UTILIDADE ALGUMA. Isso torna a discussão entre teístas e ateístas como inútil, supérflua e mera discussão de sexo de anjos!

 

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